VOTOS INDECISOS E ERROS NAS PESQUISAS

03/01/2013

Mauricio Costa Romão

 A preocupação dos institutos de pesquisa no estágio final das eleições é apresentar os resultados de intenção de voto em termos de votos válidos (votos totais menos os votos em branco e os votos nulos), já que será nessa modalidade que a divulgação oficial dos números do pleito será feita.

Assim, quanto ao percentual de eleitores que se intitularam indecisos (que pode ser maior do que o percentual dos que disseram que iam votar em branco ou anular o voto), qual é o procedimento dos institutos para essa categoria?

O caminho encontrado pelos institutos é subtrair os votos indecisos, assim como fazem com os votos nulos e em branco, descartando todos na passagem para votos válidos. Ou, o que dá no mesmo, é distribuir proporcionalmente tais votos indecisos entre todos os candidatos e entre os que disseram que iam votar em branco ou anular o voto, de acordo com as intenções de voto manifestas nas pesquisas.

Embora esse procedimento de repartição proporcional assegure que na transposição para votos válidos as distâncias relativas entre as intenções de voto se mantenham, o fato é que se está cometendo uma arbitrariedade. Trata-se de uma intervenção do pesquisador nos números originais captados pela pesquisa.

Em face do aumento de volatilidade do voto (a paulatina mudança de comportamento do eleitorado que, cada vez mais, posterga sua decisão de voto para os dias finais das eleições), essa arbitrariedade pode estar contribuindo para os frequentes equívocos dos institutos nas pesquisas de véspera.

Antes, enquanto essa categoria de indecisos na pesquisa de véspera era pequena, com as manifestações espontâneas muito próximas das estimuladas, a distribuição proporcional da quantidade de votos dos indecisos não tinha porque acarretar viés ponderável nos prognósticos.

Agora, contudo, que não mais está havendo, nas proximidades dos pleitos, convergência entre as modalidades espontânea e estimulada, os percentuais maiores de indecisos detectados na espontânea podem induzir a que a atribuição arbitrária de votos aos candidatos, na estimulada, mesmo de forma proporcional, se introduza desvio de prognóstico, eventualmente expressivo.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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