ÚLTIMAS PESQUISAS NO RECIFE

24/10/2020

 

(Publicado no Jornal do Commercio em 24/10/2020)

 Maurício Costa Romão

Até quinta-feira (22/10) foram publicados oito levantamentos de intenção de votos para prefeito do Recife neste mês de outubro, provenientes de cinco diferentes institutos de pesquisa [Ibope (2), Datafolha (2), Big Data (2), Opinião e Ipespe].

Como são poucos os levantamentos, principalmente aqueles sucessivos, oriundos de uma mesma fonte, ainda não há elementos para configuração de tendências. Algumas conjecturas são cabíveis, ainda assim.

Com o vertiginoso crescimento das intenções de voto do candidato situacionista, João Campos (PSB), em um dado momento chegou-se até a pensar que a eleição findaria no primeiro turno.

Os números das pesquisas não são consistentes com essa possibilidade. Para que o pleito termine no primeiro turno é necessário que a intenção de votos da candidatura líder seja maior que a soma das intenções de voto dos demais postulantes. Isso não se registrou em nenhuma pesquisa.

De fato, as duas últimas pesquisas, por exemplo, mostram João Campos com 33% e 31% de intenções de voto e os demais candidatos com 51% e 54% (Ipespe e Datafolha, respectivamente).

As duas pesquisas do Datafolha dão mais indícios da ocorrência de segundo turno. Com efeito, de uma pesquisa para outra o postulante pessebista passou de 26% para 31% de intenções de voto. Esses cinco pontos de percentagem foram todos garimpados entre os brancos, nulos e indecisos, já que a soma das intenções de votos dos demais concorrentes evoluiu de 48% para 54%.

Então, a trajetória de crescimento das intenções de voto de João Campos está se dando através de conquistas de novos eleitores e não de migração de votos do seu próprio campo (retirando votos de Marília Arraes, por exemplo), nem tampouco, do campo adversário, como se viu.

Se há indícios de que não está havendo transferência de votos dos dois campos, só há uma fonte disponível para o candidato líder crescer: o rol dos brancos e nulos e dos indecisos (12% e 4%, respectivamente, no último Datafolha). O problema aí é que esse manancial só tem, teoricamente, 4% de eleitores, considerando que no pleito de 2016 os brancos e nulos somaram 12%.

Enfim, se a eleição fosse hoje haveria segundo turno e o candidato situacionista teria lugar garantido nessa etapa, possivelmente com intenções de voto gravitando no entorno do que tem agora.  A eleição não é hoje, todavia.

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Maurício Costa Romão, é Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

mauricio-romao@uol.com.br

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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