TRAJETÓRIA, SAÍDA, VOZ E LEALDADE

11/10/2011

 

Adriano Oliveira – Cientista Político – http://www.leiaja.com/

Eleitores fazem escolhas, as quais não são estáticas. Os eleitores estão numa trajetória. Nesta, eles recebem influências diversas. Eleitores interagem com outros eleitores e podem consolidar ou mudar as suas escolhas. Informações e fatos emocionais influenciam as escolhas dos eleitores. O comportamento do eleitor reflete um trem nos trilhos. O eleitor e o trem estão numa trajetória em busca do destino. O destino do trem é a estação. O destino do eleitor é a urna. No decorrer da trajetória, o trem poderá escolher por parar em variadas estações. O eleitor na trajetória, em razão de variados vetores que influenciam as suas escolhas, poderá fazer diversas escolhas. Ou consolidar as escolhas já realizadas.

É comum, como por diversas vezes já abordei neste espaço, analistas de pesquisas e candidatos se preocuparem diante de uma pesquisa quantitativa com a posição dos competidores. Na análise, a qual aparenta ser superficial, o vencedor é o candidato que tem o maior percentual. Em nenhum momento, os analistas e competidores consideram que o eleitor está numa trajetória e, portanto, vulnerável a mudanças.

Estratégias eleitorais importam. Sábios são os competidores que reconhecem que estão numa trajetória e precisam conquistar eleitores ou evitar a saída deles. Estratégias eleitorais construídas com base em pesquisas possibilitam a conquista dos eleitores e evitam a saída destes.

Albert Hirschaman em seu livro Saída, Voz e Lealdade mostra como os consumidores deixam de comprar um dado produto. Revela que consumidores utilizam a voz para reclamarem de certo produto. E que consumidores são leais a dados produtos. As premissas de Hirschaman servem para o mercado político. Ou seja: eleitores deixam de votar em dado candidato, reclamam de candidatos e são leais aos candidatos.

Com base em Albert Hirschaman, constato que os eleitores na trajetória fazem escolhas. Portanto, eles podem abandonar o candidato, reclamar dele ou consolidar a sua lealdade a ele. As estratégias eleitorais são um dos vetores que possibilitam esta dinâmica.

Portanto, as escolhas dos eleitores não são estáticas. Elas mudam. Os que hoje são fortes eleitoralmente podem não ser amanhã.

Adriano Oliveira – Doutor em Ciência Política

Professor da UFPE

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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