Testando a influência de Ciro Gomes na eleição presidencial de 2010

26/04/2010

Tem-se discutido bastante ultimamente se a saída de Ciro Gomes da corrida presidencial seria vantajosa ou não para a candidatura de Dilma Rousseff. O próprio candidato tem dito que a permanência dele na disputa é benéfica para as hostes lulistas, como estratégia de levar o embate para o segundo turno.

Uma maneira de se avaliar a influência, ou não, da presença de Ciro Gomes nas atuais manifestações de inteção de votos é considerar todos os levantamentos de caráter nacional realizados recentemente pelos grandes institutos de pesquisa de opinião, relativamente às quatro candidaturas conhecidas (Serra, Dilma, Ciro, Marina).

Para os propósitos do texto, não se exige o requisito de que as pesquisas tenham sido geradas a partir de uma mesma fonte. Elas podem provir de institutos diferentes, com distintos desenhos de concepção (tamanho da amostra, modelo de questionário, etc.) e de modalidade (ponto de fluxo, residencial, etc.), não importa. A idéia é catalogar seus resultados à medida que vão sendo divulgados e, depois, colocá-los em seqüência para possível visualização de tendência.

Observem-se os Gráficos ao final do texto, nos quais estão plotadas as intenções de voto para a eleição presidencial que se aproxima, oriundas de doze pesquisas nacionais (as datas das pesquisas e os institutos responsáveis estão listados no eixo horizontal, ao pé dos Gráficos):

a)   No primeiro Gráfico, com os quatro candidatos, nota-se estabilidade nas intenções de voto de José Serra, notória ascensão de Dilma Rousseff, declínio de Ciro Gomes, e Marina Silva restringindo-se à faixa de 5 a 10% de intenção de votos, desde o início dos levantamentos listados (setembro do ano passado).

b)   Chama à atenção neste Gráfico a estabilidade de José Serra, no patamar de 35% de intenção de votos, apesar de ainda nem ter lançado oficialmente sua candidatura. A linha de tendência de sua trajetória é uma reta horizontal ao eixo das abscissas (os econometristas hão de notar que a reta de regressão dos números de Serra, do tipo y = a +bx, oferece um estimador do coeficiente angular quase igual a zero, o que torna a equação da forma y=a).

c)   No Gráfico em que estão desenhadas duas linhas, uma referente às intenções de voto do candidato tucano e outra composta pela soma das intenções de voto dos outros três candidatos, os números indicam a realização de segundo turno, no período considerado, mantidos os mesmos quatro postulantes como candidatos.

d)   (Observação: só não haveria segundo turno se a linha azul estivesse acima da vermelha, com percentuais de intenção de votos fora da margem de erro. Isso significa que, em termos de votos válidos, o candidato representado pela linha azul teria mais da metade mais um dos votos, ganhando no primeiro turno, se a eleição fosse realizada na época em apreço).

e)   Neste cenário, Ciro Gomes tem razão: sua presença na disputa é benéfica para as hostes lulistas, como estratégia de levar o embate para o segundo turno.

f)     No Gráfico seguinte, o último, quando se suprime o nome de Ciro Gomes, as intenções de voto de José Serra ou são sempre superiores as da soma de Dilma Rousseff e Marina Silva, ou quando são inferiores os dados apontam para empate técnico (empate técnico é risco: tanto pode dar um como o outro).

g)   Mais uma vez, a permanência de Ciro Gomes equilibra as forças, contribuindo para jogar o pleito para o segundo turno.

Somente com outras pesquisas mais à frente é que se poderá delinear uma tendência mais nítida. Até lá, do ponto de vista numérico, de intenção de votos, há pouco embasamento técnico para previsões mais ousadas!

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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