SORVENDO VOTOS EM TODAS AS FONTES

26/08/2012

 

Maurício Costa Romão

 O que mais se comentou nos meios políticos, após a divulgação da pesquisa IPMN de 20 e 21 de agosto, foi a ascensão da candidatura de Geraldo Júlio ao segundo lugar, em intenção de votos, na corrida eleitoral à prefeitura do Recife. De fato, a velocidade com que aumentam as intenções de voto do postulante pessebista chama à atenção. Nos três levantamentos do IPMN desde o fim das convenções, e até o início do guia eleitoral, o representante do PSB pulou de 6,8% para 14,4% e, em seguida, para 22,2%, num espaço de apenas 40 dias de campanha.

Entre as pesquisas IPMN de julho e a primeira de agosto, o crescimento de intenção de votos de Geraldo Júlio, de 7,6 pontos, deu-se em cima de todas as alternativas possíveis: 3,0 pontos de Humberto, 3,7 pontos de Mendonça, 0,1 ponto de Daniel, 0,4 pontos dos outros candidatos e 0.3 pontos da categoria de indecisos.

Já entre os dois levantamentos de agosto, o acréscimo de manifestações de voto do ex-secretário, de 7,8 pontos, ocorreu pela subtração de votos de Humberto Costa (1,4 ponto), Mendonça Filho (1,9 ponto) e, principalmente, nos votos da categoria de brancos, nulos e indecisos (4,5 pontos).

Essa cada vez maior aderência do recifense à postulação pessebista resulta, portanto, da migração de votos de outras candidaturas e da conquista de parte dos eleitores que intentavam anular o voto, não votar em ninguém ou, simplesmente, que ainda não se tinham decidido pelas candidaturas postas.

Isso significa que Geraldo está garimpando eleitores em todos os campos políticos, da esquerda à direita, passando pelo centro, se é que essa terminologia ainda faz algum sentido no mundo político-partidário brasileiro. Esse fenômeno é muito relevante, pois torna a postulação pessebista eclética, conciliadora de diversas aspirações dos eleitores, o que favorece seu crescimento, visto que sorve votos em todas as fontes.

Com esse desempenho, Geraldo já deixou Mendonça para trás, abrindo uma vantagem de 7,1 pontos de percentagem sobre o democrata. Como a trajetória de intenções e voto do deputado é ligeiramente declinante, mas sem mostrar reações, a eleição já está definitivamente polarizada entre PT e PSB.

Exibindo seus favoráveis números fora da margem de erro, significando, portanto, acréscimos reais de preferências pela sua postulação, o candidato do governador diminuiu drasticamente a diferença de intenções de voto que o separava do líder, Humberto Costa. Em julho o senador estava com 28,7 pontos de percentagem acima do ex-secretário estadual, porém, já agora neste levantamento de antes do guia eleitoral, essa diferença cai para 8,9 pontos.

Tendências

Mendonça Filho e Daniel Coelho, em que pese façam elogiadas campanhas propositivas, não têm conseguido reverter suas tendências, no que diz respeito à trajetória de intenção de votos: a do primeiro, de queda, e a do segundo, de constância. Parte dessa inércia reativa deve-se ao tremendo desequilíbrio de forças dos dois postulantes oposicionistas (recursos, estrutura, apoios, candidatos proporcionais, etc.) vis-à-vis às candidaturas de Humberto Costa e de Geraldo Júlio, o que afeta a competição.

Mas o fato é que, a cada levantamento do IPMN, parte do eleitorado oposicionista, principalmente do campo mendoncista, que detém mais intenções de voto, migra para a candidatura de Geraldo Júlio. Ainda assim, nas duas pesquisas de agosto, a oposição continua com o apoio de cerca de um quinto do eleitorado do município. 

Humberto Costa, não obstante a força de seu partido, de sua chapa, e de seus apoios, tem perdido aderentes à sua postulação, a julgar pela trajetória descendente de suas intenções de voto entre julho e agosto. Os números que ele desfila hoje são menores do que os de quando foi oficializado candidato. Mais grave ainda: tais números estão perigosamente tangenciando os 30% de intenções de voto, que seriam o famoso e inexpugnável piso do petismo no Recife.

Assim, com a oposição e o PT em processo de encolhimento de intenções de voto, sem esboçarem reação, o espaço de conquista de votos tem-se alargado sobremaneira para o postulante pessebista. Daí sua meteórica ascensão junto ao eleitorado.

Em termos de tendência, portanto, no diapasão com que seu crescimento está ocorrendo, há uma grande possibilidade de Geraldo Júlio ultrapassar Humberto Costa nos próximos dois levantamentos de opinião, até porque, repita-se, as intenções de voto do senador têm caído, embora discretamente.

Se segundo turno houver, e essa, neste instante, é a possibilidade maior de ocorrência, o embate dar-se-á entre esses dois candidatos, Humberto e Geraldo, com este último desfilando números na frente do primeiro.

Os futuros levantamentos já vão incorporar o impacto do guia eleitoral sobre os eleitores e aí será possível avaliar se essas tendências exibidas até aqui se sustentam ou descortinam alguma configuração diferente.

—————————————————————-

Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

 

Um comentário
Eduardo

Ta vendo tio! Já vinha falando isso desde a 1ª pesquisa! Humberto e Mendonça já eram conhecidos e Geraldo não. Também acho que Lula não vai ajudar muito Humberto não, todo mundo já sabe que Humberto é o cara de Lula! E ai no 2º turno quem vence? Acho dificil o povo que vota em Mendonça votar em Humberto!

Deixe seu comentário
Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

continue lendo >> Maurício Romão

Copyright © 2012 Maurício Romão. Todos os direitos reservados.

Desenvolvimento: 4 Comunicação