SENADO PE: DATAFOLHA PUBLICA RESULTADOS EM VOTOS VÁLIDOS

24/09/2010

Por Maurício Costa Romão

Na eleição deste ano podem ser eleitos dois senadores por UF. Os questionários das pesquisas se amoldam a esta circunstância, inquirindo os eleitores a se pronunciarem por dois nomes.

Então, independente da técnica de obtenção de respostas (se o entrevistado escolhe um nome em 1ª opção, depois o outro, em 2ª opção; ou se escolhe os dois nomes em uma mesma pergunta, sem distinguir 1ª e 2ª opções, etc.) cada entrevistado tem duas alternativas para o Senado Federal.

Como os eleitores manifestam suas preferências duas vezes, a soma global de percentuais (as intenções de voto para os candidatos, mais os percentuais de eleitores indecisos, etc.) alcança 200%, ao invés dos convencionais 100%.

Veja-se o quadrinho abaixo com a última pesquisa do Datafolha, realizada entre 21 e 22 de setembro, e divulgada nesta quinta, dia 23/09. Observe-se que a soma total dos percentuais chega a 200%.

 

Para passar essas intenções de voto totais mostradas nesta tabela para votos válidos é preciso, inicialmente, desprezar os votos brancos e nulos. Votos brancos e nulos não são considerados válidos pelo TRE.

Então, dos 200%, a pesquisa do Datafolha subtrai 60% [aí dentro desses 60% têm também os NS (não sabem), os NR (não responderam), ou, simplesmente, chamados de indecisos, mas é tudo tratado como se fosse voto branco ou nulo*].

Assim, 200% – 60% = 140%, que é a nova base, em termos de votos válidos.

Quer dizer, os 200% em intenção de votos totais representam 140% de intenções de votos, do ponto de vista dos votos válidos.

Agora, então, para proceder à transformação de votos totais em votos válidos, cada intenção de votos da tabela acima será dividida por 140%.

31% ÷ 140% = 22,1 (Marco Maciel)

52% ÷ 140% = 37,1 (Humberto Costa)

E assim sucessivamente, conforme consta da outra tabela abaixo, que desfila os resultados divulgados pelo Datafolha:

Note-se nesta tabela que após a sistemática de transformação, os percentuais, em termos de votos válidos, somam 100%. Assim, a compatibilização com os percentuais adotados pelo TRE está feita.

O que soa estranho para alguns é o fato de que nas pesquisas majoritárias (excluídas as de senador, quando podem ser indicados dois candidatos) os percentuais de intenção de votos aumentam quando passam a ser representados por votos válidos.

Por exemplo, nesta mesma pesquisa do datafolha para Presidente, Marina Silva obteve 13% de intenções totais de voto. Como o conjunto dos B/N/NS/NR registrou 8%, a nova base agora é: 100% – 8% = 92%.

Transformando 13% em termos de votos válidos, tem-se:

13% ÷ 92% = 14,1%, que é agora o percentual de intenção de votos de Marina em termos de votos válidos.

Nota-se que na transformação o percentual original aumentou de 13% para 14,1%.

A explicação é que se está dividindo um mesmo número por um divisor menor (13% ÷ 100% versus 13% ÷ 92%) e aí o quociente aumenta.

E por que não acontece isso em relação aos percentuais da primeira tabela, lá em cima, para senador?

Acontece! É que não se vê. Por exemplo, os 42% de Armando, nos 200% totais, equivalem a 21% em 100%. Quando transformados (tabela de baixo) passam para 30%, portanto, aumentaram também.

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*Uma explicação mais detalhada do procedimento dos institutos de pesquisas com a categoria “indecisos” (figura que não existe na hora de sufragar o voto no dia das eleições) está no texto: “Da intenção de votos para votos válidos (nota técnica)”, publicado recentemente neste blog ( mauricioromao.blog.br.)

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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