RESUMO DAS PESQUISAS NO SEGUNDO TURNO

23/10/2010

Por Maurício Costa Romão

A tabela que acompanha o texto mostra as médias de intenções de voto para Presidente 2010, calculadas a partir de nove pesquisas eleitorais realizadas pelos quatro institutos que têm feito cobertura nacional das eleições do País, neste segundo turno: Datafolha (3 pesquisas), Ibope (2), Sensus (2) e Vox Populi (2).

Os números divulgados por esses institutos tem-se mostrado bastante parecidos, considerando que provêm de metodologias distintas e com trabalhos de campo realizados em dias no mais das vezes não coincidentes.

Ainda que os percentuais de intenção de voto não difiram muito de instituto para instituto, é conveniente, de qualquer forma, neutralizar a influência individual de qualquer uma dessas pesquisas, calculando a média de intenção de votos entre elas, para cada um dos candidatos.

Isto está feito e apresentado na tabela do texto, em que se dividiu a etapa do segundo turno em duas fases: a da primeira rodada de pesquisas (entre 08 e 14 de outubro) e a da segunda (entre 15 e 21 de outubro). A média total de todo o período considerado é também relacionada á guisa de complemento. 

Tendo presente que os períodos mais recentes são aqueles mais relevantes em pesquisas eleitorais, já que captam o que foi incorporado ultimamente nos sentimentos dos eleitores, as pesquisas mostram que a candidata Dilma Rousseff aumentou sua média de intenções de voto da primeira para a segunda rodada em 1,9 pontos de percentagem, enquanto que seu opositor, José Serra, teve oscilação negativa de 1,3 pontos.

Aqui se configura a primeira diferença entre os resultados do fim do primeiro turno e este período do segundo: naquele, Dilma havia estancado seu crescimento antes mesmo do caso Erenice, a partir do qual começou a declinar até o dia da eleição. As pesquisas dos dias 01 e 02 de outubro já mostravam a postulante petista, em queda, com 47% de intenções de voto.

Na primeira rodada de pesquisas do segundo turno, Dilma ainda aparece com a média de 47,8%, quer dizer, manteve praticamente os mesmos votos totais do fim do primeiro turno. Quem evoluiu mesmo foi Serra, que nos dias 01 e 02 de outubro cravou somente 29% nas pesquisas, e disparou na primeira rodada do novo turno para uma média de 41,5%.

Entretanto, a segunda rodada já mostra Dilma em ascensão e Serra declinando em todos os institutos (embora, dentro da margem de erro).

A diferença pró Dilma passou de 6,3, no turno primeiro, para 9,5 pontos de percentagem, no segundo.

Então, ao contrário do final da etapa eleitoral que se encerrou no dia 03 de outubro, Dilma está apresentando indícios de tendência de crescimento e Serra de estagnação ou declínio.

Como faltam poucos dias para a eleição, uma vantagem dessa magnitude, combinada com indicativos de trajetória de crescimento de intenções de voto, coloca a candidata governista em situação de favorita, embora seja prematuro afirmar-se que o quadro já esteja definido.

Há ainda variáveis que são significativas e podem exercer influência sobre os números, sobretudo os que advêm dos eleitores indecisos e dos que professaram votar em branco ou anular o voto: propaganda eleitoral gratuita, debates, as questões religiosas, que perderam ímpeto, mas que ainda vêm à tona, as acusações mútuas, os apoiamentos, oscilações numéricas nos grandes colégios eleitorais, etc.

Ao que parece, o contexto de indefinições tende a se entender até o dia 31 de outubro.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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