REFORMA POLÍTICA COMEÇA COM PRÉVIAS

09/09/2011
Tags: , , , , .

Ricardo Tripoli

Folha de S.Paulo, 06/09/2011

O PSDB é dono de indiscutível herança de ideais. O PSDB tem os atributos para dar o exemplo. Antes, havia um silêncio incômodo na regência das relações internas do partido. Incômodo e não consentido. O fenômeno que proliferava entre todos nós era, tão somente, a espera. Hoje, nós já podemos gritar que somos donos do nosso destino. Ou poderemos construí-lo. No dia 4 de julho deste ano, protocolei no diretório municipal do PSDB minha intenção de disputar as prévias do partido, que vão escolher o candidato a prefeito de São Paulo.

 Minha ambição sustenta-se na valorização dos filiados, a quem devemos tanto respeito quanto transparência. Agora, parece, as prévias acenderam um sinal de alerta em quem está nos gabinetes. É preciso sentir o pulso dos diretórios do PSDB. Na carta que enviei aos filiados do partido quando me inscrevi determinado a participar do processo, afirmei que “as prévias são uma receita de convívio sem nódoas”.
Contei com mais de 200 assinaturas de apoio.
Há o que contestar? Há o que burlar? Há o que esperar? É confortável receber um nome de cima para baixo, imposto? Tantos que somos e não temos autonomia? Tanto que fizemos, e temos que abaixar a cabeça? Tanto que precisamos fazer, e vamos continuar à espera de comandos?
Nós não somos os legítimos donos do PSDB? Todos nós? Ou apenas alguns? As prévias modificam todas as nossas perspectivas.
Uma reflexão consistente nos leva a duas constatações: uma inclui-se na importância de São Paulo. E atesta que devemos ter arrojo e visão crítica para o desafio de continuar melhorando a cidade.
A outra, estridente demonstração do óbvio, nos diz que não podemos perder o vigor semeado pelas lideranças que estiveram na fundação do PSDB.
Ambas as reflexões empurram para o campo aberto das prévias. O jogo da articulação política dentro do PSDB vem acompanhado de eufemismos. Para a escolha do nosso candidato a prefeito de São Paulo em 2012, não há meias palavras.
Não há palavras impermeáveis. A palavra é: prévias.
É próprio do cenário da política o encontro de pensamentos variados. O confronto de discursos antagônicos. Mas não é próprio nem deve ser eterno o uso de subterfúgios que desprezem a militância. A base é a consciência do partido.
O verdadeiro líder não é o que manda porque pode. É aquele que orienta porque tem a confiança dos seus. A questão das prévias dentro do PSDB é uma inspiração. Tenho defendido as prévias como um argumento originário da democracia, e ponto final.
O filiado é o verdadeiro senhor das decisões. Sem ele, o partido mingua. Sem ele, o corolário de intenções do partido arrefece. As prévias, que tanto reclamo, são a mais pura e contundente demonstração de que os filiados são respeitados em sua íntegra plenitude.
Portanto, PSDB, prévias urgentes. Sem palavras distorcidas.


RICARDO TRIPOLI é advogado, ambientalista, deputado federal e pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Nenhum Comentário
Deixe seu comentário
Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

continue lendo >> Maurício Romão

Copyright © 2012 Maurício Romão. Todos os direitos reservados.

Desenvolvimento: 4 Comunicação