Reclamando das pesquisas…

28/05/2010

Imagem cedida pelo Blog Acerto de Contas

Por Maurício Costa Romão

Não há mais nada para se adicionar ao que já se falou das pesquisas eleitorais, contra e a favor. Um breve apanhado das críticas e reclamações, distante anos-luz de ser exaustivo, selecionado aleatoriamente, está reproduzido a seguir, em dois blocos:

Bloco 1

Hipocrisia

“Acho que os políticos deveriam deixar de ser hipócritas. Eles deveriam solicitar ao TSE que proibisse totalmente toda e qualquer pesquisa eleitoral antes das eleições. É a única alternativa que faz sentido, pois em toda eleição ocorre a mesmíssima coisa: os candidatos que perderam “culpam” as pesquisas eleitorais, levantam suspeitas em relação à sua lisura, reclamam que o comportamento do leitor foi influenciado, etc. Se na eleição seguinte os mesmos candidatam ganham, o comportamento muda completamente. Ou seja: as pesquisas “erram” ou “acertam” de acordo com o humor do candidato e os resultados da eleição….” [Renato Sabbatini, Jornal Correio Popular, Campinas-SP, 09/10/1998].

Emoções
A pesquisa eleitoral mexe com as emoções. Ela provoca o entusiasmo na militância, agrega partidários, gera simpatia. Acelera os corações, comprime as mentes, deprime as psiquês. Traz alegrias e angústia. E acaba atraindo, muitas vezes, uma avalanche de ódio. E ódio não é uma palavra pesada, porque aqueles que se sentem prejudicados ou derrotados querem censurá-la, postergá-la, estabelecer quarentenas, prazos para publicação, quando não propõem, simplesmente, a sua pura extinção por decreto.” [Rogério Bonilha: “A doutora estatística não tem culpa de nada”, Cidades do Brasil, edição 13 (09/2000), Curitiba-PR].

Encomenda

Alvaro Dias (PSDB-PR), Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) e Heráclito Fortes (DEM-PI) criticaram a falta de limites para pesquisas eleitorais feitas “sob encomenda”, com a finalidade de beneficiar alguns candidatos. Alvaro Dias disse que a legislação acaba não evitando a manipulação de dados de pesquisas, lembrando que os eleitores tendem a votar nos candidatos com maior chance de vitória. Heráclito Fortes disse que, no seu estado, existiu nestas eleições o que chamou de “indústria das pesquisas”. [“Senadores comentam eleições e reclamam limites para pesquisas eleitorais ‘sob encomenda.’” Agência Estado (06/10/2008)].

Investigação

“É inútil fazer o que o deputado José Dirceu, do PT, está apregoando: uma investigação das empresas de pesquisa eleitoral. Pura perda de tempo. Elas são as principais interessadas em que suas pesquisas dêem resultados os mais acurados possíveis, pois assim continuarão no mercado, e terão sucesso em vender seus serviços nas próximas eleições (é bom lembrar que esta é a maneira que elas ganham dinheiro: elas não fazem pesquisa por esporte). Achar que uma empresa do porte de um IBOPE se vendeu por uns trocados para favorecer o voto útil para este ou aquele candidato é de uma ingenuidade atroz. [Renato Sabbatini, Jornal Correio Popular, Campinas-SP, 09/10/1998].

Influência

A pesquisa eleitoral não ganha eleição. A história mostra candidatos favoritos perdendo, e candidatos ‘derrotados’ nas pesquisas alcançando a vitória. Na primeira eleição de Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro, o franco favorito, disparado, era Miro Teixeira… Leonel Brizola, que começara com índices baixíssimos, venceu as eleições. Em 1988, Luíza Erundina perdeu todas as pesquisas para Paulo Maluf, mas ganhou as eleições para a Prefeitura de São Paulo. Em Goiás, este exemplo é visível nas eleições de 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006: todos os que estavam em situação de desvantagem nas pesquisas ganharam as eleições. (2000 e 2004, na cidade de Goiânia). A pesquisa eleitoral funciona como uma bússola para os candidatos… Conforme as pesquisas vão se alterando, o candidato vai se orientando por elas, para conservar a tendência de alta, ou para reverter o quadro de baixa…  A pesquisa é instrumento de informação do eleitor e de orientação para o candidato e não pode servir aos objetivos de partido ou de candidato. Quando usada de forma errada, fatalmente se volta contra os que dela fizeram mau uso [Mário Rodrigues Filho responde a Vassil Oliveira (Blog Tribuna do Planalto, 03/05/2008) A pergunta: pesquisa ganha eleição?].

Manipulação

“Três candidatos que disputam a Prefeitura de Belém, a 12 dias da eleição, estão colocando sob suspeita de manipulação as pesquisas feitas na cidade pelo Ibope. Arnaldo Jordy (PPS) foi ao Ministério Público Federal pedir para o órgão investigar o Ibope, criticando suposto favorecimento às candidaturas de Valéria Pires Franco (DEM-PSDB), com 20% das intenções de voto, e de Duciomar Costa (PTB), que aparece na frente, com 25%. Duciomar também demonstra insatisfação com os números e já tentou, por duas vezes, impedir na Justiça Eleitoral que os resultados fossem divulgados. ‘Por onde eu ando, nas ruas, o que se vê é totalmente diferente daquilo que o Ibope mostra’, afirmou Jordy…. Para o candidato, as pesquisas no Pará estão sendo ‘movidas por interesses econômicos’ e estariam funcionando muito mais para “formar a opinião das pessoas” do que para retratar o sentimento das ruas. A mesma opinião tem o ex-deputado federal e candidato José Priante (PMDB), que se diz o mais prejudicado pelas pesquisas… A única que não reclama do Ibope é Valéria Pires Franco, que sempre aparece ora liderando, ora empatada com Duciomar Costa…” [Carlos Mendes: “Candidatos de Belém desconfiam da pesquisa eleitoral.” Agência Estado (23/09/2008)].

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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