RECLAMA PORQUE QUER!

12/09/2010

Por  Maurício Costa Romão

mauricio-romao@uol.com.br

Artigo publicado no Diário de Pernambuco, 12/09/2010 

De há muito temos insistido que candidatos e staff de campanha eleitoral não devem brigar com pesquisa, pois se trata de uma luta inglória, muito difícil de ser vencida.

Quando se toma conhecimento dos resultados adversos da pesquisa (se fossem favoráveis não haveria reclamação, ela estaria correta, refletiria o “clima das ruas”…), eles já são de domínio público, não há como revertê-los, o “dano” já está causado. Ademais, é muito provável que o reclamante esteja equivocado. Novas rodadas de pesquisas ou levantamentos contemporâneos de outros institutos vão quase certamente confirmar os achados originais, objeto da manifesta insatisfação.

Quando se olha as pesquisas eleitorais sem a impregnação emocional do torcedor, num lapso de tempo mais prolongado, observa-se que há uma grande semelhança nos seus resultados. Daí a sentença: quando se briga com uma pesquisa, se está brigando com todas”.

De fato, quando se faz aferição de tendência de intenção de votos para os mesmos candidatos, a partir de levantamentos sucessivos de vários institutos de pesquisa, chama a atenção o fato de que, ainda que oriundas de diferentes fontes, realizadas em dias diferentes de cada mês (porém próximos), com suas metodologias distintas, as intenções de voto não diferem muito de uma fonte para outra.

Como ilustração dessa assertiva mostramos, logo após as eleições de 2008, a semelhança nas intenções de voto, pós-convenções partidárias, entre o Ibope e o Datafolha, para os quatro candidatos mais competitivos que disputaram a eleição para Prefeito do Recife.

Outro exemplo, igualmente eloqüente, pode ser extraído da eleição presidencial deste ano, considerando as aferições de intenção de votos dos quatro grandes institutos que têm feito cobertura nacional: Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus.

Selecionando as pesquisas desses institutos entre aquelas cujo trabalho de campo foi realizado em data a mais próxima possível uma da outra, e computando os levantamentos mais recentes, de junho a agosto, nota-se que os percentuais de intenção de votos conferidos aos candidatos, individualmente, por cada um dos institutos, em cada data escolhida, são razoavelmente semelhantes.

Ademais, essa pequena diferença de números entre os institutos tende a ser menor ainda à medida que se vai aproximando o dia do pleito: as pesquisas são realizadas mais amiúde, os trabalhos de campo são feitos quase que nos mesmos dias, diminui uma fonte de volatilidade, que é o número de indecisos, há uma tendência dos institutos a aumentar o tamanho da amostra, a expertise acumulada nos levantamentos anteriores tende a diminuir o erro não-amostral, etc.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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