PRIMEIRO TURNO?

31/08/2012

 

“Uma vez eliminado o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, deve ser a verdade”.

 Sir Arthur Conan Doyle

Maurício Costa Romão

Na corrida eleitoral deste ano para a prefeitura da cidade do Recife, os números de Geraldo Júlio nas pesquisas IPMN e de outros institutos têm suscitado várias especulações na mídia e entre analistas de que a vitória do candidato pessebista dar-se-á no primeiro turno.  

Nas duas últimas pesquisas publicadas no fim de agosto, realizadas pelos institutos Vox Populi e Datafolha, a média de intenção de votos dos principais candidatos foi: Geraldo Júlio 30%, Humberto Costa 28,5%, Daniel Coelho 10,5%, Mendonça Filho 10% e “outros” candidatos 2%. Os votos em branco, nulos e indecisos somaram 19%.

Se a eleição fosse hoje Geraldo teria, portanto, 37,1% dos votos válidos e a eleição iria para o segundo turno, pois ainda faltariam cerca de 13 pontos percentuais para atingir os 50% mais um daqueles votos. Acontece que a eleição não se realizará hoje e aí cabe a pergunta: até o dia 7 de outubro quais as chances de Geraldo vencê-la?

Neste estágio, ainda relativamente distante do pleito, é melhor trabalhar com os votos totais das pesquisas para avaliar essa possibilidade.

Considerando essas duas pesquisas mais recentes como referências, e levando-se em conta as trajetórias de intenção de votos de 13 levantamentos registrados e publicados até aqui, intenta-se fazer, abaixo, algumas ponderações sobre a conjectura em apreço.

(1)  Tomando como base as últimas eleições é de se esperar que, abertas as urnas no dia 7 de outubro, o total de votos brancos e nulos gravite no entorno de 10%. Acontecendo isso, os votos válidos se restringirão a 90% dos votos totais. O líder das pesquisas (Geraldo, no caso) precisaria atingir, portanto, 45% dos votos totais para encerrar a eleição no primeiro turno (45% ÷ 90% = 50%);

 

(2)  Nestas pesquisas mencionadas, Geraldo Júlio teve 30% de intenções de voto, em média. Onde ele iria buscar os 15 pontos de que necessita para sacramentar o pleito na sua primeira fase?

 

(3)  Existem quatro fontes possíveis: Humberto, oposição, “outros” candidatos e a categoria de votos brancos, nulos e indecisos;

 

(4)  O saldo conquistável de votos da categoria brancos, nulos e indecisos é de 9 pontos (19% menos o resíduo de 10%), de acordo com estas últimas pesquisas. Como as intenções de voto têm caído para o conjunto da oposição e para o candidato petista, e dada a velocidade de crescimento do postulante do PSB, é de todo admissível que esse saldo seja capturado por Geraldo. Se assim for, ele precisaria subtrair apenas 6 pontos das outras fontes: Humberto, oposição e “outros” candidatos;

 

(5)  Os “outros” candidatos – referência ao elenco formado pelas candidaturas menos competitivas – tiveram em 2008, cerca de 3,4% dos votos totais. Então, não é impróprio admitir que na eleição deste ano esse elenco não tenha menos que 2% dos votos totais;

 

(6)  Em assim sendo, o quantum de conquista de votos de Geraldo Júlio de 6 pontos terá que se circunscrever a duas fontes apenas: Humberto Costa e oposição;

 

(7)  Como a inexpugnável barreira de 30% de intenção de votos do PT na capital está sendo rompida, não é fora de propósito supor que a trajetória de queda do senador Humberto Costa, verificada por todos os institutos, continue ocorrendo, ainda que em percentuais pequenos. Isso tornaria factível alguma captura adicional de votos nessa fonte por parte do candidato do governador;

 

(8)  A oposição, por seu turno, sempre esteve no patamar acima de 20% de intenções de votos nas várias pesquisas pós-conveções partidárias, chegando até a mais de 30% em algumas ocasiões. Agora, entretanto, está a ponto de cair para o patamar situado no intervalo de 15% a 20%. A materialização dessa ocorrência vai depender do balanço entre o possível crescimento de Daniel Coelho e a tendência de queda de Mendonça Filho. De qualquer sorte, está aí um potencial núcleo de fornecimento adicional de votos para o pessebista;

 

(9)  Em síntese: mantidas as atuais trajetórias de intenção de votos, e não havendo nenhum sobressalto na presente campanha, o que parecia muito pouco provável há algum tempo, tornou-se agora uma grande possibilidade: vitória de Geral Júlio no primeiro turno.

Para que isso ocorra, todavia, alguns pressupostos precisam ser reafirmados:

(a)    que a categoria de votos em branco, nulos e indecisos repita os percentuais da última eleição e registre cerca de 10% no cômputo final do TRE, no dia 7 de outubro;

 

(b)    que o saldo de 9% da aludida categoria, resultado da subtração dos 19% menos o resíduo de 10%, seja apropriado pelo candidato pessebista. Qualquer montante conquistado nessa categoria que resulte menor que 9%, terá que ser compensado por igual obtenção nas hostes da oposição e/ou do PT;

 

(c)     que o conjunto formado por Humberto, oposição e “outros” candidatos não reaja, quer dizer, não aumente suas intenções de voto (se algum componente do conjunto o fizer, que seja em detrimento de outro componente);

 

(d)    que mais que isso, além de não reagir, pelo menos o subconjunto de Humberto mais a oposição perca, no mínimo, 6 pontos de percentagem de intenção de votos;

 

(e)    que os “outros” candidatos, no total, pontuem 2%. Se pontuar mais, o representante do PSB terá que ir buscar igual montante nas outras fontes mencionadas. Se pontuar menos, diminuirá o esforço de captação de Geraldo Júlio (embora se tratando de poucos pontos percentuais, é oportuno lembrar que a eleição de 2008 se encerrou no primeiro turno, por conta de uma diferença de apenas 1,54 ponto!).

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br; http://mauricioromao.blog.br.

 

 

 

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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