PESQUISAS PARA PREFEITO DO RECIFE: ORGANIZANDO OS NÚMEROS DE 2011

13/12/2011

 

 

  Maurício Costa Romão

Comentários Metodológicos 1

Como já é sabido, comparações de resultados de pesquisas eleitorais só devem ser feitas entre levantamentos oriundos de mesma fonte. Se as pesquisas têm o mesmo desenho de concepção (tamanho da amostra, margem de erro, intervalo de confiança, modelo de questionário, procedimento de campo, etc.), então elas são estritamente comparáveis. Quer dizer, as eventuais variações havidas nas intenções de voto dos candidatos, de uma pesquisa para outra, podem ter sido, de fato, derivadas de mudanças nas preferências da população, e não resultantes de modificações de metodologia ou de coleta de informações.

Depreende-se daí que institutos diferentes, com seus procedimentos amostrais e de campo distintos, nunca trabalham com o mesmo desenho de pesquisa. Confrontar intenções de voto neste caso é extrair associações entre grandezas que são entre si não comparáveis, estatisticamente.

No caso das pesquisas Exatta 1 e Exatta 2, de mesma origem, a comparação de resultados entre setembro e dezembro fica também prejudicada porque elas têm cenários diferentes (pré-candidatos distintos).

Comentários Metodológicos 2

Das pesquisas originais das quais foram extraídos os dados da Tabela que acompanha o texto, apenas estão relacionados cenários em que o atual prefeito do Recife, João da Costa, aparece como candidato do PT à reeleição. Quer dizer, não estão mostrados cenários em que o dep. João Paulo aparece no lugar de João da Costa, ou em que os dois estão juntos num mesmo cenário.

Os dados da pesquisa interna postados na terceira coluna da Tabela foram divulgados pela Folha de Pernambuco, no dia 06/09/2011, por ocasião da apresentação dos resultados da pesquisa Exatta 1.

“O resultado global da pesquisa Exatta se aproxima das consultas de consumo interno encomendadas pelo próprio prefeito João da Costa. Na semana passada, a Folha de Pernambuco teve acesso a um levantamento com esse caráter, que apontou o petista também na liderança com 30%. Mendonça Filho figurou com 16% e Raul Henry com 13%. Quem também teve o nome ventilado nesta consulta interna foi o ex-deputado Raul Jungmann (PPS), com 2%”.

A pesquisa GPP para o Recife, oriunda de instituto sediado no Rio de Janeiro, faz parte de um conjunto de levantamentos encomendado pelo Democratas nacional em várias capitais do País, realizado no início do mês de setembro do corrente ano.

No levantamento da Exatta 1, com trabalho de campo entre 3 e 4 de setembro, há um resultado totalmente inconsistente com os demais dados da própria pesquisa, possivelmente fruto de erro de impressão/troca de nomes. Esse dado foi corrigido neste texto.

A média dos cenários da Exatta 2 refere-se à média de cada pré-candidato em cenário no qual aparece sempre o prefeito João da Costa, e não necessariamente os demais pré-candidatos. Tal média (assim como a média total mostrada na segunda coluna) é meramente uma síntese dos percentuais de intenção de votos dos pré-candidatos em cenários distintos, de sorte que a soma dessas intenções mais o percentual da categoria de brancos, nulos, não sabe e não respondeu, não totaliza 100%.

Nas pesquisas originais da Exatta, tanto a 1 quanto a 2, quando o ex-prefeito João Paulo entra no mesmo cenário em que também concorre João da Costa, cenário hoje impossível, já que ambos são de um mesmo partido, o ex-prefeito supera o atual em intenção de votos em 2,3 vezes (Exatta 1) e 2,7 vezes (Exatta 2). O dep. Mendonça Filho aparece nos dois cenários em terceiro lugar.

Resultados

Levando em conta as ressalvas metodológicas apontadas, ainda assim é possível extrair algumas conclusões das cinco pesquisas apresentadas.

  1. Independente do Instituto, da data de campo, e do cenário, o prefeito João da Costa lidera todas as pesquisas, sempre secundado pelo dep. Mendonça Filho;
  2. Na pesquisa GPP e em todos os cinco cenários da Exatta 2, João da Costa e Mendonça Filho estão tecnicamente empatados;
  3. Nas pesquisas em que Raul Henry e Raul Jungmann aparecem no mesmo cenário, Henry sempre desponta na frente, embora com intenções de voto tecnicamente empatadas (exceto na pesquisa Interna, vista na terceira coluna);
  4. Na pesquisa GPP (e, muito certamente, na Interna), nos cenários da Exatta 1, e em todos os cenários originais da Exatta 2, o pleito seria decidido no segundo turno, se a eleição fosse hoje, já que o pré-candidato líder de intenções de votos estaria longe de alcançar, 50% mais um dos votos válidos;

 

As futuras pesquisas para prefeito da cidade do Recife – e serão muitas – certamente captarão novos desdobramentos da pré-campanha de 2012, que está apenas começando. Neste momento, a dez meses do pleito, com pré-candidaturas ainda indefinidas, com poucas pesquisas realizadas, não há elementos que possam auxiliar na formulação de prognósticos abalizados. Mais à frente, já um pouco mais no clima eleitoral, com novos e sucessivos levantamentos, aí sim, os indicativos de intenção de votos poderão configurar determinadas tendências.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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