PESQUISAS, NÚMEROS E EMOÇÕES (Publicado no Jornal do Commercio em 28/10/2018)

09/11/2018

 

Maurício Costa Romão

Nas últimas pesquisas publicadas até sexta-feira, 26/10, desta semana (MDA, Ibope, XP/Ipespe, Real Time Big Data, Paraná Pesquisas e Datafolha), a diferença de intenções de voto entre os dois postulantes no segundo turno continuava elevada, com Bolsonaro registrando média de 57,4% dessas intenções e Haddad 42,6%, uma vantagem de 14,8 pontos percentuais.

Imaginando que o não-voto (brancos, nulos e abstenção) no 2º turno gravite no entorno de 28%, que foi a média das duas últimas eleições (se este percentual for maior prejudica Haddad, pois haverá menos votos válidos disponíveis para garimpar), a diferença de 14,8 pontos equivale a cerca de 16,0 milhões de votos.

As mencionadas pesquisas mostraram que os votos brancos, nulos e indecisos somaram 14,8%, em média. Considerando que fique um resíduo de 7,8% de brancos e nulos no 2º turno (no primeiro foi 8,8%), só restaria a Haddad algo em torno de 7,0% de votos a conquistar nesta cesta.

Então, para se aproximar da votação de Bolsonaro, Haddad precisaria capturar esses 7,0 pontos entre sexta-feira, sábado e hoje, dia do pleito, algo como 7,5 milhões de votos. Apenas para empatar na votação, o petista teria que agregar todos os votos conquistáveis na cesta de brancos, nulos e indecisos e ainda subtrair 0,7 pontos da votação de Bolsonaro.

Vê-se, assim, que é enorme o desafio do candidato do PT para virar o placar atual. E, ainda por cima, as pesquisas mostram alguns indicadores que reforçam essa dificuldade, com os dois postulantes apresentando: (1) estabilidade nas intenções de voto; (2) índices de rejeição elevados; e (3) altas taxas de certeza de voto. Esses fatores atuam como impeditivos de grandes oscilações de decisão de voto.

Não há, portanto, elementos factuais que ensejem alguma expectativa de virada de placar neste final de eleição. As emoções do segundo turno de 2014 (diferença de 3,3 pontos de percentagem entre Dilma e Aécio, algo como 3,5 milhões de voto) não se vão repetir este ano.

Nem mesmo o frisson de eventuais erros das pesquisas (no primeiro turno, nas pesquisas de véspera, sexta e sábado, Ibope e Datafolha subestimaram as votações de Bolsonaro e Haddad, fora da margem de erro) suscita expectativas, dada a larga diferença numérica de votos potenciais entre os dois contendores. A eleição está definida.

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Maurício Costa Romão, é Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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