PESQUISAS MOSTRAM RECUPERAÇÃO DE DILMA, MAS NÃO APONTAM TENDÊNCIA

13/09/2013

Fonte: elaboração própria, com base nas pesquisas listadas.

 Maurício Costa Romão

As três pesquisas nacionais de intenção de votos para presidente, que foram levadas a efeito depois das manifestações de rua do meio do ano, mostram uma discreta recuperação de Dilma Rousseff relativamente aos baixos indicadores do mês de junho.

A tabela acima desfila os percentuais de intenção de votos consagrados à presidente e aos seus potenciais concorrentes, nos recentes levantamentos dos institutos Datafolha (coleta de dados no final do primeiro decêndio de agosto), Vox Populi e CNT/MDA (ambos com trabalho de campo em fins de agosto e início de setembro).

Nas pesquisas do Datafolha Dilma cresce cinco pontos de percentagem entre os dias 27 e 28 de junho, quando alcançou apenas 30% de intenção de votos, e 7 e 9 de agosto, período em que pontuou 35%. Nas pesquisas da CNT/MDA a evolução da presidente foi menor: passou de 33,4% (7 a 10 de julho) para 36,4% agora no início de setembro. O Vox Populi não tem pesquisa anterior realizada no período imediatamente após os protestos nacionais.

Embora oriundos de institutos diferentes, com suas metodologias distintas, os números da tabela dão vazão a que se possa sacar três conclusões:

(1) a presidente se recuperou ligeiramente em comparação com o fundo do poço dos meses de junho e julho, mas não a ponto de caracterizar tendência nítida de crescimento de intenções de voto, no cenário dado;

(2) nenhum candidato, individualmente, do “campo da oposição”, despontou com destaque de tal sorte que se pudesse delinear tendência de crescimento de intenção de voto na seqüência dos três levantamentos;

(3) os números médios das pesquisas, mesmo sem o avanço dos postulantes “anti-Dilma”, apontam para a ocorrência de segundo turno, visto que a soma de intenções de voto dos concorrentes é maior do que os percentuais conferidos à candidatura líder;

Os institutos de pesquisa costumam usar a soma dos percentuais de “ótimo” e “bom”, conferidos pelos eleitores à gestão dos governantes, como sinônimo de aprovação ou de popularidade dos incumbentes.

Na primeira linha do corpo central da tabela abaixo estão mostrados os percentuais de aprovação da gestão de Dilma, pelo critério mencionado, em quatro pesquisas nacionais pós-manifestações.

Fonte: elaboração própria, com base nas pesquisas listadas.

Note-se, de passagem, que há uma relação bastante próxima entre intenção de votos da presidente (primeira tabela) e a avaliação de seu governo (segunda tabela), de acordo com a soma de ótimo e bom.

Nas pesquisas anteriores dos institutos (excetuando-se a do Vox Populi), a média de aprovação de Dilma foi de 30,8%. Como a média de ótimo e bom alcança agora 36,8%, considerando os levantamentos retratados na tabela em apreço, registrou-se, portanto, um crescimento de seis pontos de percentagem de um período para outro. Mais uma vez, contudo, apenas com as pesquisas comentadas, não há bases estatísticas para vislumbrar tendência definida.

Baseado na evidência empírica de eleições presidenciais pretéritas, o cientista político Alberto Carlos Almeida conclui que em situação de reeleição o incumbente converte um mínimo de 80% da soma de manifestações de ótimo e bom em votos.

Observando-se esta última tabela, isso quer dizer que dos 36,6% que a presidente Dilma tem de intenção média de votos, ao menos 29,4 pontos de percentagem são oriundos de eleitores que avaliam positivamente o seu governo.

Se a eleição fosse hoje, então, este seria o patamar mínimo de votos que a presidente teria. Os outros 7,2 pontos são incertos (maior parte de eleitores que não aprovam o governo).

Bem, se essa “lei” vingar mesmo, a recuperação discreta de Dilma passa a ser também motivo de preocupação para as hostes governamentais, pois o threshold de 29,4% reforça a possibilidade de segundo turno, situação de “todos contra um”.

Há uma aposta do lado do executivo federal de que, com o arrefecimento dos movimentos contestatórios, com alguns sinais relativamente positivos dos indicadores econômicos, em que pese a renitência dos índices inflacionários e, sobretudo, com a aceitação populacional do programa Mais Médicos, se estabeleça trajetória contínua de crescimento da avaliação da gestão governamental e das intenções de voto à presidente.

As próximas pesquisas podem sinalizar, ou não, nesse sentido. Por enquanto, a recuperação da presidente Dilma Roussef, em termos de intenção de votos e de popularidade, é relativamente discreta e estável. Em compensação, seus potenciais concorrentes ao Palácio do Planalto também não têm ocupado espaços mais generosos na preferência dos eleitores.

O quadro atual é, portanto, de letargia, e talvez continue assim, pelo menos na moldura dos próximos levantamentos de opinião.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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