PESQUISAS EM PERNAMBUCO: ATUALIZAÇÃO E VISÃO DE CONJUNTO

20/08/2010

 

 

 

Fonte: elaboração do autor, com base em pesquisas dos Institutos IMN (5), Ibope (3), Vox Populi (5) e Datafolha (4), Exatta (2), NEPD (1), DiarioData (1).

Fonte: elaboração do autor, com base em pesquisas dos Institutos IMN (1), Ibope (2), Vox Populi (1) e Datafolha (2), Exatta (2), DiarioData (1).

Por Maurício Costa Romão

Governador 

O gráfico cinza mostra uma seqüência de 21 pesquisas de intenção de votos para Governador de Pernambuco, realizadas por diferentes institutos. Os levantamentos foram postados no gráfico, obedecendo à cronologia da data do trabalho de campo de cada instituto. 

Este aspecto cronológico é importante: se existe uma coisa consensual em pesquisa eleitoral é a que diz respeito à data de aplicação dos questionários no campo: as datas mais recentes são as mais relevantes porque captam os últimos sentimentos do eleitor. Portanto, a atualidade das informações é crucial. Uma pesquisa divulgada hoje pode estar defasada, dependendo de quando foi a campo.

Quando houver overlapping parcial de datas de campo como, por exemplo, 26 a 29/jul e 28 a 30/jul (pesquisas mostradas no gráfico, do Ibope e NEPD, respectivamente), deve-se considerar como mais atualizada a que terminou o trabalho de campo por último. 

Esse overlapping pode ser notado também das pesquisas mais recentes, do mês de agosto (em destaque, no gráfico), do Vox Populi, DiarioData, e Datafolha. O último levantamento do Vox Populi para Governador e Senador, em Pernambuco, só foi divulgado dia18/08, mas as entrevistas foram realizadas entre os dias 7 e 10/08, quer dizer, a divulgação se deu oito dias após o encerramento do campo. 

Por outro lado, as pesquisas do DiarioData e do Datafolha foram divulgadas antes da do Vox Populi, embora seus trabalhos de campo fossem feitos depois, estando, portanto, mais atualizadas. 

Outra questão para a qual cabe atentar é a que se refere à colocação no gráfico de varias pesquisas oriundas de diferentes institutos. Tais pesquisas não são comparáveis entre si. Cada instituto utiliza metodologia distinta, um do outro. 

E qual é a implicação disso? As eventuais variações havidas nas intenções de voto dos candidatos, de uma pesquisa para outra, podem não ter sido derivadas de mudanças nas preferências da população, e sim decorrente da metodologia empregada ou devidas ao tipo de coleta de informações. Daí por que se desaconselha comparação de resultados entre essas pesquisas, do ponto de vista do rigor estatístico. 

Entretanto, pelo de fato de essas pesquisas, numa série temporal, diferirem muito pouco entre si, em termo de intenção de votos atribuída aos candidatos individualmente, é perfeitamente admissível postá-las em seqüência para observar os movimentos ondulatórios das trajetórias de intenção de votos desses candidatos. 

A junção de várias pesquisas de diferentes institutos em um mesmo gráfico, portanto, dá vazão a que se possa, analisando a evolução dos percentuais de intenção de votos registrados por cada uma, prospectar tendências (permanência de candidato num determinado patamar, ascensão ou queda sistemática por determinado período, etc).    

Por exemplo, vê-se, no gráfico, que Eduardo tem-se adstrito, desde o início da série, ao patamar de 50% a 60% das intenções de voto, com incursões marginais em patamares adjacentes. Entretanto, as três últimas pesquisas em destaque, as mais atualizadas, do mês de agosto, já sinalizam para uma eventual mudança de patamar, adentrando no de 60% a 70%. 

Jarbas, por seu turno, tem uma incrível constância de intenções de votos circunscritos ao patamar de 20% a 30%, com oscilações muito menores que as de Eduardo. Mas, a partir de meados de julho, verifica-se uma trajetória descendente de intenções de voto em direção ao patamar de 15% a 20%. 

Observando-se a média de intenções de voto de toda a série, Eduardo alcança 56,6% contra 26,7% de Jarbas.  Contudo, quando se leva em conta o período mais recente, o das pesquisas realizadas na primeira quinzena do mês de agosto, a média de intenção de votos do atual governador sobe para 64% e a do Senador desce para 19,0%, uma diferença de 45 pontos de percentagem. 

A vantagem de Eduardo Campos nesta fase adiantada da campanha confere-lhe invejável posição de liderança, traduzida também pelos votos válidos. Nestas pesquisas mais recentes, Eduardo chega a alcançar, na média, 77,1% dos votos válidos, ao passo que Jarbas obtém 22,9%. 

Senador 

Quanto à corrida para o Senado Federal, o gráfico azul, abaixo, também desfila várias pesquisas (nove, ao todo) de diferentes institutos e seus respectivos registros de intenção de votos. 

Pela sua significância, em termos de atualidade, as pesquisas da primeira semana de agosto estão colocadas em destaque, com os percentuais de intenção de votos explicitados. 

O que se destaca de imediato no gráfico em apreço é a justaposição das linhas de intenção de votos de Humberto Costa e Marco Maciel, de maio a julho. Independentemente do instituto que realizou a pesquisa, os seis levantamentos correspondentes mostraram empate técnico entre os dois postulantes e, em alguns casos, empate numérico. Tanto assim é que computando suas respectivas médias de intenções de voto nesse período, há quase um empate numérico: Humberto 42,8%, Maciel 42,3%. 

Levando-se em conta todo o período, desde maio até a primeira quinzena de agosto, a média de intenções de voto de Humberto Costa, que lidera a corrida senatorial, é de 43,0%, a de Marco Maciel é de 39,4% e, em terceiro e quarto lugares, aparecem Armando Monteiro, com 24,6% e Raul Jungmann, com 10,4%, respectivamente. 

Se, por outro lado, tomar-se como referência os últimos levantamentos de agosto, Humberto permanece praticamente com o mesmo percentual de intenção de votos, 43,3%, enquanto o de Marco Maciel cai 1,7 ponto de percentagem, declinando para 37,7%. A performance de Armando quase não se altera, registrando 24,0%, e há um ligeiro declínio nas preferências por Raul, de 10,4% para 9,3%. 

Um detalhe que chama à atenção nesses levantamentos, observados em todas as pesquisas realizadas até agora, é o enorme contingente de eleitores que se mostraram indecisos, ou que disseram que não iriam votar em ninguém, ou que simplesmente afirmaram que iriam votar em branco ou anular o voto. 

Isso significa que o espaço para conquista de votos está em aberto, o que torna prematuro qualquer prognóstico mais balizado sobre quais serão os dois ocupantes das vagas em aberto. 

Em síntese, analisando do ponto de vista da evolução dos percentuais de intenção de votos, de maio até agora, os números mostrados indicam posição mais favorável para Marco Maciel e Humberto Costa, embora não se possa ainda considerar essas posições como consolidadas. 

Armando Monteiro, mais próximo dos primeiros colocados, e nitidamente em ascensão, tendo, inclusive, empatado tecnicamente com Marco Maciel na pesquisa do Vox Populi, pode avançar mais ainda. Não se pode descarta também a possibilidade de Raul Jungmann crescer e embaralhar ainda mais o quadro da disputa senatorial.

Nenhum Comentário
Deixe seu comentário
Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

continue lendo >> Maurício Romão

Copyright © 2012 Maurício Romão. Todos os direitos reservados.

Desenvolvimento: 4 Comunicação