PESQUISAS ELEITORAIS PARA GOVERNADOR EM PERNAMBUCO

04/09/2014

Fonte: elaboração própria com base em várias pesquisas

Maurício Costa Romão

Desde o mês de  abril deste ano foram publicadas dez pesquisas registradas de intenção de votos para governador de Pernambuco, realizadas por quatro institutos: IPMN (3), Ibope (3), Opinião (2) e Datafolha (2).

O gráfico que acompanha o texto expõe os resultados dessas pesquisas em ordem sequencial de trabalho de campo: IPMN (primeira, quinta e oitava), Ibope (segunda, quarta e sétima), Opinião (terceira e nona) e Datafolha (sexta e décima).

As pesquisas realizadas após a morte do ex-governador Eduardo Campos, em número de quatro, estão separadas pela linha verde do gráfico.

Até a pesquisa do Datafolha, cujo campo terminou no dia 13/08, dia do falecimento de Eduardo Campos, a média de intenção de votos de Armando Monteiro era de 42% e a de Paulo Câmara registrava 13%. Da linha verde em diante, a média de intenção de votos de Paulo Câmara subiu para 32% e a de Armando Monteiro caiu para 35%, com as três últimas pesquisas mostradas no gráfico já revelando empate técnico entre eles.

É inegável, portanto, que o fator emocional teve um peso ponderável na configuração de votos que se seguiu ao trágico desaparecimento do líder pernambucano.

Entretanto, mesmo entre os adversários de Paulo, havia expectativa de que os índices alcançados pelo candidato pessebista antes do Guia Eleitoral iriam evoluir positivamente tão-logo começassem as veiculações radiofônicas e televisivas.

Seus números exibidos nas pesquisas não condiziam com as fortes circunstâncias eleitorais que suportavam sua candidatura, incluindo entre elas, mais da metade dos 20 minutos de rádio e TV disponíveis aos candidatos.

Esperava-se, portanto, sua melhoria nas intenções de votos pós-horário eleitoral. O que ninguém poderia jamais imaginar era que esse crescimento seria propelido por intenso componente emocional. 

E esse crescimento recente tem sido de tal ordem que impôs novas configurações às curvas mostradas no gráfico. Se forem colocadas linhas de tendência sobre essas curvas, a de Paulo terá inclinação ascendente e a de Armando, descendente.

Observando-se as equações dessas linhas, num rápido e despretensioso exercício estatístico, ver-se-á que, ceteris paribus, as intenções de votos de Paulo já serão maiores do que as de Armando na próxima pesquisa.

O mundo pode ser plano, por causa da internet, mas certamente não é linear. Assim, por mais que os ventos soprem em favor do candidato pessebista, é prudente aguardar os próximos levantamentos eleitorais para avaliar se a atual tendência se confirma.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

 

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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