PESQUISAS ELEITORAIS: COBRANÇAS

27/03/2012

 Eleitor

O assunto das pesquisas, sem dúvida, é meio árido para o eleitor comum. Na maior parte das vezes ele tem dificuldade de ler corretamente seus números e aí, reconheço, às vezes, ele faz cobranças que não cabem, fora de contexto.

Maurício Costa Romão

Exato. Na maior parte das vezes as pessoas exigem das pesquisas aquilo que elas não podem dar. É muito comum alguém dizer: tal pesquisa disse que fulano ia ter só 15% e ele teve 20%, como se a pesquisa tivesse que cravar exatamente 15%. É preciso entender o que é a pesquisa e prá que é que ela serve. Antecede a qualquer coisa saber quais os alcances e limites das pesquisas eleitorais.

 A pesquisa é um mero instrumento técnico de acompanhamento do processo eleitoral, que serve para apontar tendências com base em levantamentos sucessivos. Ela não “projeta o futuro”, portanto, é incapaz de predizer os percentuais exatos que os candidatos obterão nas urnas. É muito raro a pesquisa acertar em cheio o percentual de um candidato. Sempre haverá alguma discrepância entre as previsões dos institutos e os números oficiais, já que as pesquisas se baseiam no fato concreto de que no mundo real trabalha-se com amostra, e não com o universo. Se se trabalhasse com o universo, com a população toda, não seria pesquisa, seria um censo. Não teria estimativas, margem de erro, intervalo de confiança, aleatoriedade, nada. Então, toda pesquisa já nasce com uma penalidade por consultar apenas uma parte da população, essa penalidade é o erro amostral. E a ele se pode adicionar o erro não amostral, que resulta de problemas com o desenho e operacionalização das pesquisas em campo (utilização de dados defasados, despreparo dos pesquisadores, ausência de supervisão no campo, etc.).

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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