Pesquisa Quantitativa e Pesquisa Qualitativa

14/06/2010
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Por Maurício Costa Romão

As pesquisas de intenção de voto usam as duas abordagens convencionais de pesquisas de opinião em geral: a quantitativa e a qualitativa.

Na abordagem quantitativa busca-se extrair uma quantificação estatística de tendências de opinião do universo pesquisado. Nas pesquisas de opinião eleitoral, por exemplo, a tendência mais procurada é exatamente a intenção de votos nos candidatos.

Como as pesquisas quantitativas utilizam instrumentos padronizados (questionários), concebidos por especialistas, visando à obtenção de respostas que atendam aos objetivos do levantamento, elas são consideradas o método mais adequado para captar manifestações conscientes dos entrevistados, suas opiniões e sentimentos.

Uma vantagem considerável da utilização de questionário padronizado na pesquisa é a de que possibilita extrapolar resultados para a população, a partir das técnicas amostrais de inferência estatística. Assim, no caso da pesquisa de intenção de voto, pode-se prever que determinado percentual obtido por um candidato na amostra possa ser aproximadamente igual ao que terá na população, considerados o erro amostral e o intervalo de confiança.

A abordagem qualitativa, por seu turno, intenta captar aspectos subjetivos e motivações não explícitas de pequeno grupo de pessoas (grupo de discussão ou focus groups), selecionados de acordo com perfis determinados. O grupo é estimulado por um facilitador a extravasar suas percepções e posicionar-se espontaneamente sobre determinado assunto.

Numa campanha eleitoral interessa ao candidato, por exemplo, saber qual a imagem como pessoa e como político que ele tem perante a população. A abordagem qualitativa fornece subsídios aos estrategistas da campanha sobre tais percepções, livremente manifestadas pelos participantes do grupo selecionado (normalmente entre 10 e 12 pessoas) para ser objeto de “porta-voz” da população.

É exatamente essa possibilidade de se explorar manifestações espontâneas de grupos selecionados, em temas que não teriam condições de ser abordados em extensão nas pesquisas quantitativas, principalmente por conta da padronização dos questionários, que alçam a técnica qualitativa a patamares de imprescindibilidade em pesquisa político-eleitoral.

Os especialistas sugerem até que as pesquisas qualitativas devam preceder as quantitativas, sob o argumento de que os resultados colhidos na primeira servirão de subsídios valiosos para o desenho amostral da segunda, em especial para a confecção do questionário.

Nas campanhas eleitorais recomenda-se realizar pesquisas qualitativas antes de se iniciar a campanha propriamente dita. Elas balizarão o planejamento de ações, discursos, estratégias, e servirão de subsídio para os levantamentos quantitativos.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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