PESQUISA NO RECIFE: PREFEITO LIDERA COM PEQUENA MARGEM E CENÁRIOS SÃO DE SEGUNDO TURNO

21/12/2011
 
Fonte: elaboração própria, com base na pesquisa do IPMN

 

 Maurício Costa Romão

O portal LeiaJá divulgou ontem, dia 20/12, números da pesquisa de intenções de voto para prefeito do Recife, realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), entre os dias 13 e 14 deste mês de dezembro. O levantamento tem margem de erro de 3,5 pontos de percentagem, para mais ou para menos, um nível de confiança de 95% e aplicou 811 questionários.

É oportuno registrar, de início, que se nota, no conjunto dos eleitores recifenses, certa sensação de descrença, de desânimo, de decepção com a vida que levam, tanto assim é que apenas 16% responderam que as suas vidas melhoram muito nos últimos anos. Os 84% restantes disseram que a vida piorou, melhorou pouco, ou continua do mesmo jeito. Esse sentimento está mais presente entre os eleitores do sexo feminino, junto àqueles que apenas têm o fundamental completo, entre os eleitores que se situam na faixa etária de 25 a 34 anos e no contingente de votantes que têm renda mensal de até um salário mínimo (vide Tabelas completas no site do LeiaJá).

A Tabela 1 mostra quatro cenários elaborados pela pesquisa, em que o atual prefeito João da Costa aparece como candidato do PT. O IPMN também confeccionou cenários aventando a possibilidade de o deputado João Paulo vir a ser o representante petista, substituindo João da Costa (vide Tabela 2, abaixo).

Em todos os cenários postados na Tabela 1, o atual prefeito desponta liderando as preferências dos eleitores, porém sempre empatado tecnicamente com o dep. Federal Mendonça Filho, exceto, naturalmente, no cenário II, no qual o ex-governador não aparece entre os pré-candidatos.

Nesses cenários, sobressai-se o fato de que as pré-candidaturas líderes, João da Costa e Mendonça Filho, têm intenções de voto bem acima das conferidas a um bloco intermediário de pretendentes à PCR, formado por Raul Henry, Raul Jungmann e Daniel Coelho.

Com esses números listados na Tabela 1, se a eleição fosse hoje, haveria segundo turno entre o atual prefeito e o ex-governador Mendonça Filho nos cenários I, III e IV, pois nenhum dos dois teria alcançado 50% mais um dos votos válidos. No cenário II, o segundo turno de votação dar-se-ia entre João da Costa e um dos três postulantes do bloco intermediário, todos empatados tecnicamente, com ligeira vantagem numérica para Raul Henry.

Chama à atenção, ainda, na Tabela 1, o enorme contingente de eleitores que ainda não se decidiu, englobado na categoria de votos brancos, nulos, não sabe, não respondeu. Na média dos cenários da Tabela em apreço, esse contingente representa 50% dos eleitores, o que é compreensível dada a distância de tempo que ainda falta para a realização do pleito. Esse alheamento está espelhado no fato de que, no momento presente, 78% dos eleitores pesquisados pelo IPMN estão indiferentes, não estão interessados, ou se interessam pouco pelo pleito do próximo ano, no Recife.

 Com efeito, quanto mais distante do pleito, mais os eleitores se mostram reticentes em manifestar preferência por este ou aquele candidato, optando por declarar que vai votar em branco, anular o voto ou, simplesmente, que não sabe em quem vai votar.  Na fase atual, as candidaturas ainda não estão consolidadas, os arcos de apoiamento não foram formados, as pré-campanhas não ganharam as ruas, etc., etc.

Quando as principais candidaturas líderes são confrontadas com determinadas categorias sócio-econômicas – sexo, grau de instrução, idade e renda – o prefeito João da Costa é preferido pelos eleitores do sexo masculino, eleitores que possuem curso superior completo, jovens de 16 a 24 anos, e eleitores que ganham entre 2 e 5 salários mínimos.

Já Mendonça Filho é preferido por votantes do sexo feminino, eleitores que cursaram só até a terceira série, no início da escala educacional, e também entre eleitores que têm curso superior completo, no fim dessa escala. As maiores intenções de voto para Mendonça Filho estão ainda entre os eleitores que têm de 35 a 44 anos, e eleitores que ganham de um a dois salários mínimos.

Quando o dep. Federal João Paulo entra no lugar de João da Costa como representante do PT, a eleição, se fosse realizada hoje, com os cenários postos na Tabela 2, seria definida no primeiro turno, com o ex-prefeito tendo entre 71,8% e 77,4% dos votos válidos.

Fonte: elaboração própria, com base na pesquisa do IPMN

As maiores votações em João Paulo estão concentradas nos eleitores que são predominantemente do sexo masculino, naqueles que têm o fundamental completo, em termos de escolaridade, nos eleitores com 45 a 60 anos ou mais de idade, e no contingente mais pobre da sociedade,  que ganha até um salário mínimo mensal.

Neste momento, a dez meses do pleito, com pré-candidaturas ainda indefinidas, com poucas pesquisas realizadas, não há elementos que possam auxiliar na formulação de prognósticos abalizados. Mais à frente, já um pouco mais no clima eleitoral, com novos e sucessivos levantamentos, aí sim, os indicativos de intenção de votos poderão configurar determinadas tendências.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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