PESQUISA ELEITORAL: RESIDENCIAL OU PONTO DE FLUXO?

21/05/2012

Eleitor

A equipe de entrevistadores do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN) quando vai a campo faz que modalidade de pesquisa, por residência ou por ponto de fluxo? Qual é a melhor?

Maurício Costa Romão

Abordar o transeunte nos pontos de grande aglomeração de pessoas, os chamados pontos de fluxo, é uma técnica tão boa quanto qualquer outra. Como também o é a entrevista nas ruas que não são necessariamente locais de aglomeração. O IPMN pratica mais esta ultima sistemática, porém está aberto para outras modalidades, como a de aplicar questionários “face to face”, nas residências. Às vezes fazemos um mix das duas abordagens, dependendo dos propósitos da pesquisa e/ou da logística do trabalho de campo.

Os entrevistados, no geral, são muito participativos, receptivos. Eles se sentem valorizados como cidadãos. Percebem que o que eles pensam pode ter importância. O público domiciliar, por exemplo, é acolhedor, colaborativo, atende bem o pesquisador. Pode haver uma ou outra dificuldade de abordagem nos condomínios, em alguns prédios de apartamento, na acessibilidade de algumas ruas, mas nada que afete o conjunto. No Rio de Janeiro, em alguns locais dominados pelo tráfico, a situação é mais complicada. Mas aqui no Recife nunca se soube de problemas significativos. Qualquer dificuldade é resolvida com a substituição aleatória do respondente. Não há prejuízo para o conjunto, para a representatividade da amostra.

A abordagem na rua, que é a que a gente mais pratica, é feita através de seleção aleatória de certo número de setores geográficos da cidade e de aplicação de questionários aos moradores desses setores. Por exemplo, segundo IBGE, o Recife tem 1079 setores geográficos, também chamados setores censitários. Se a nossa amostra é de 816 entrevistas e nós aplicamos 12 questionários por setor, então selecionamos aleatoriamente 68 setores entre esses 1079 e fazemos as entrevistas nesses setores, proporcionais à suas populações.

Por exemplo, na zona sul da capital, correspondente à RPA 6, o IBGE aponta uma população de 242 mil pessoas. Se ali são selecionados 17 setores, vamos entrevistar 204 pessoas (17 setores X 12 questionários). Já no centro do Recife, que é menos populoso, bastam apenas quatro setores e um total de 48 entrevistas. Para termos mais segurança sobre a lisura dos procedimentos, depois do trabalho de campo, nós checamos cerca de 20% dos questionários aplicados, junto aos respondentes.

O importante, em qualquer modalidade, é aplicar bem os questionários e preencher as cotas sócio-econômicas pré-estabelecidas. Por exemplo, se na população há 52% de mulheres e 48% de homens, na amostra a gente tem que pesquisar o equivalente de mulheres e homens. Ninguém volta para o Instituto sem preencher as cotas. Se não for assim, compromete-se a representatividade e a pesquisa. Os institutos são muito rigorosos nesses aspectos, pois é aí que reside o temido erro não-amostral, aquele que resulta de procedimentos inadequados no trabalho de campo, na preparação do entrevistador, na utilização de dados defasados, etc.

 

Um comentário
Tânia maravilhoso chamarelli

Entrevistadora RJ contato para trabalhos em qualquer lugar do Brasil 20 anos de experiência telefone 21985263635

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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