PESQUISA ELEITORAL E CRONOLOGIA

13/12/2012

Eleitor

“Normalmente a gente vê uma pesquisa de intenção de votos publicada em um determinado jornal, observa os resultados, mas dá pouca atenção à data em que a pesquisa foi realizada. Essa data é, assim, tão importante?”

Maurício Costa Romão

Muito importante! A cronologia no âmbito das pesquisas de intenção de votos é um aspecto fundamental na correta interpretação dos resultados. O eleitor tem sempre que reparar quando foi feita cada pesquisa.

A data de aplicação de questionários no campo é transcendental: as datas mais recentes são as mais relevantes, porque incorporam a evolução mais atual do dinâmico panorama político-eleitoral e captam os últimos sentimentos do eleitor. Uma pesquisa divulgada hoje pode estar defasada, dependendo de quando foi a campo.

Por exemplo, imagine-se que ontem saiu uma pesquisa de determinado instituto com B na frente de A e hoje saiu outra, de outro instituto, com resultado inverso. Mas se a de ontem a pesquisa que divulgou B na liderança foi a campo em dias mais recentes, então é ela que deve estar com os resultados mais próximos da realidade, ceteris paribus.

O instituto Vox Populi, na eleição de 2010, em Pernambuco, divulgou uma pesquisa para senador no dia 18 de agosto, trazendo números discrepantes de dois outros institutos, DiarioData e Datafolha.

Houve muito bate-boca sobre esses números, à época, mas passou despercebido, todavia, nas matérias e análises que abordaram a mencionada pesquisa, que as entrevistas do Vox Populi foram realizadas entre 7 e 10 de agosto, quer dizer, só foram divulgadas oito dias após o encerramento do campo, possivelmente por alguma dificuldade técnica ou questionamentos no TRE.

A razão principal da discrepância entre os institutos, afora outras distinções metodológicas, pode ter sido decorrente dessa defasagem temporal: os outros dois institutos, DiarioData e Datafolha, foram a campo mais recentemente que o Vox Populi e divulgaram seus resultados antes..

Quanto mais perto do pleito, mais esse fator cronológico é importante porque é nessa fase final que os eleitores aceleram sua taxa de definição por determinadas candidaturas.

Enfim, como já sobejamente enfatizado, todo cuidado é pouco ao se cotejar resultados de pesquisas de institutos diferentes, principalmente quando as datas de campo são distintas. Agora, se as pesquisas provêm de um mesmo instituto, então a comparação é válida e uma seqüência de três pesquisas, realizadas em períodos distintos, já reúne elementos para configuração preliminar de tendência. Se A tá na frente de B hoje e amanhã e depois de amanhã se dá o contrário, é forte indício de houve mudança de tendência. Pode, eventualmente, ter havido erro não amostral do instituto, mas isso é mais raro.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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