PESQUISA ELEITORAL E A DATA DOS TRABALHOS DE CAMPO

03/02/2012

 

Eleitor

 Normalmente a gente vê uma pesquisa de intenção de votos publicada em um determinado jornal, observa os resultados, mas quase nunca presta atenção às datas em que a pesquisa foi realizada. Eu acho isso um erro grave!”

Maurício Costa Romão

 

Você tá corretíssimo nessa colocação! A cronologia é um aspecto muito importante a que o eleitor normalmente não dá muita atenção. Ele tem sempre que reparar quando foi feita cada pesquisa. A data de aplicação de questionários no campo é fundamental: as datas mais recentes são as mais relevantes, porque incorporam a evolução mais atual do panorama político-eleitoral e captam os últimos sentimentos do eleitor. Uma pesquisa divulgada hoje pode estar defasada, dependendo de quando foi a campo.

 Por exemplo, ontem saiu uma pesquisa com B na frente de A e hoje saiu outra com resultado inverso. Mas se a de ontem, B, foi a campo em dias mais recentes, então é ela que deve estar com os resultados mais certos. O instituto Vox Populi, na eleição de 2010, em Pernambuco, divulgou uma pesquisa para senador no dia 18 de agosto, trazendo números discrepantes de dois outros institutos, DiarioData e Datafolha. Houve muito bate-boca sobre esses números, à época, mas passou despercebido, todavia, nas matérias e análises que abordaram a mencionada pesquisa, que as entrevistas do Vox Populi foram realizadas entre 7 e 10 de agosto, quer dizer, só foram divulgadas oito dias após o encerramento do campo, possivelmente por alguma dificuldade técnica ou questionamentos no TRE. A razão da discrepância pode ter sido decorrente dessa defasagem temporal. Quanto mais perto do pleito, mais esse fator cronológico é importante. Enfim, como já enfatizado antes, todo cuidado é pouco ao se cotejar resultados de pesquisas de institutos diferentes. Agora, se as pesquisas provêm de um mesmo instituto, então a comparação é válida e uma seqüência de três pesquisas, realizadas em períodos distintos, já reúne elementos para configuração de tendência. Se A tá na frente de B hoje e amanhã se dá o contrário, é porque houve uma mudança de tendência. Pode ter havido erro do instituto, mas isso é mais raro.

 

Nenhum Comentário
Deixe seu comentário
Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

continue lendo >> Maurício Romão

Copyright © 2012 Maurício Romão. Todos os direitos reservados.

Desenvolvimento: 4 Comunicação