PESQUISA DATAFOLHA EM SÃO PAULO: SONDAGEM REFLETE INDECISÃO DO ELEITOR E DILEMA DE PARTIDOS

06/09/2011

Experiência de candidatos provoca pesos idênticos de prestígio e rejeição, e nomes novos têm pouca projeçãoÉ nesse contexto que os números devem ser vistos: uma primeira pesquisa que revela mais as propensões do que as intenções atuais dos paulistanos 

MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
Folha de S.Paulo, 05/09/2011

De que vale uma pesquisa de intenção de voto feita mais de um ano antes da eleição? Os partidos políticos não vacilam diante dessa dúvida e contratam fartamente suas próprias sondagens. Durante esse período de definições de apoios, planejamentos de comunicação e captação de verbas, sondar o eleitorado é questão de sobrevivência. A eleição ferve nos bastidores. Já os eleitores surpreendem-se ao serem solicitados por pesquisadores a declinarem preferências sobre assunto tão remoto. A eleição ainda não existe para eles.

Diante da imposição das perguntas, quase um terço mostra-se espontaneamente sem opinião. Mesmo diante dos cartões com nomes de possíveis candidatos, é frequente a indecisão, inclusive entre os que demonstram alguma preferência.
A eleição para a Prefeitura de São Paulo, no ano que vem, está em aberto nas ruas.
É nesse contexto que os resultados de hoje devem ser analisados: uma primeira sondagem que revela mais propensões do que as intenções atuais dos paulistanos.
Predominam a força dos nomes e participações em campanhas e gestões passadas. Estão fora das escolhas desse momento os apoios políticos que serão explicitados para além das páginas de jornal, as construções de imagens e, especialmente, a embalagem do marketing.
Esses fatores, diretamente associados ao tempo de cada um na TV, provocarão mudanças a partir do retrato revelado agora. Não há modelo estatístico que permita qualquer projeção para as urnas.

PRÉ-CANDIDATOS
Os dilemas estão lançados. Pelo PT, a trajetória da ex-prefeita Marta Suplicy a eleva à liderança, mas proporciona pesos idênticos de prestígio e rejeição.
A pouca projeção do ministro da Educação, Fernando Haddad, também provoca o equilíbrio da baixa popularidade com praticamente nenhuma rejeição.
Caberá ao partido avaliar o melhor uso do significativo apoio do ex-presidente Lula, revelado pela pesquisa.
O PSDB deverá decidir entre a viabilidade do ex-governador José Serra, desgastado, e a construção quase completa de uma candidatura desconhecida.
Já o PP tem no deputado federal Celso Russomano um nome inicialmente forte, mas cuja viabilidade precisará ser confirmada após o início da campanha na TV.
E a pesquisa? Neste momento, possibilita aos eleitores compartilhar com o mundo político os dilemas da eleição à prefeitura.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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