Os 30 maiores nordestinos na História (e no Google)

26/04/2010

Não é uma tarefa fácil escolher os maiores nordestinos na História, mas, em tempos de “nunca antes neste país”, talvez seja importante fazê-lo. Além disso, um exercício como esse dá oportunidade de refletirmos sobre as relações mútuas entre a economia regional e alguns de seus mais importantes personagens. Não só a economia, mas a organização social de forma ampla.

Lanço abaixo uma lista preliminar. (Sugestões de novos candidatos são bem vindas.) Cheguei aos trinta nomes do quadro pelo seguinte procedimento. Primeiro, reuni um grupo grande de pessoas que, tendo nascido na região, ou apenas atuado no Nordeste, ganharam notoriedade. Desse grupo, exclui as personalidades ainda vivas, em relação às quais não temos perspectiva histórica. O passo seguinte foi distribuir as celebridades em seis categorias (Políticos, Empresários, Religiosos, Literatos, Artistas e “Perseguidos”). Finalmente, os nomes foram submetidos ao buscador Google. Os cinco que apareceram com maior número de citações, em cada categoria, foram, então, “eleitos”.

O método é questionável, claro. Em alguns casos, as distorções eram tão óbvias que decidi ignorar os resultados. Um caso extremo: o nome “João Pessoa”, com as aspas, tem 9.480.000 citações na internet; mas é claro que elas se referem muito mais à cidade do que ao político paraibano assassinado em 1930. Nessas condições, achei melhor desclassificar o candidato. Há uma infinidade de outros problemas, que não pretendo negar, mas esse parece ter sido o maior. Foi o único em que os resultados do Google foram ignorados.

O quadro pode ser lido horizontalmente ou coluna por coluna. Na primeira opção, um fato a destacar é que, dos seis primeiros lugares em suas respectivas categorias, nada menos de quatro são originários ou atuaram no Sertão e Agreste: Assis Chateaubriand, Padre Cícero, Luiz Gonzaga e Lampião. Mesmo levando em conta que Chateaubriand e Luiz Gonzaga fizeram suas carreiras, principalmente, no “sul” do país, essa alta incidência é surpreendente, pois contrasta com a pequena importância demográfica ou econômica que o Semiárido nordestino sempre teve. Como explicá-la?

Talvez uma pista apareça na leitura vertical. Aí veremos que não há, na relação do quadro, nenhum “político” ou “literato” (e há apenas dois empresários, Chateaubriand e Delmiro Gouveia) com raízes ou atuação no Nordeste seco. Por outro lado, três dos religiosos (Padre Cícero, Beato Lourenço e Antonio Conselheiro), três dos artistas (Luiz Gonzaga, Vitalino e Patativa do Assaré) e três dos “perseguidos” (Lampião, Corisco e Antonio Silvino) são originários ou se tornaram célebres vivendo no Sertão e Agreste.

Ou seja, numa conclusão muito preliminar: sempre houve gente com fibra e energia, no Nordeste seco. Algumas dessas pessoas conseguiram dar vazão aos seus talentos sendo líderes religiosos (via de regra, em confronto com a Igreja oficial), ou artistas populares (atuando na sua cidade natal, ou falando sobre a região para os nordestinos da diáspora), ou em confronto com o poder legal e, consequentemente, sendo “perseguidos”: o caso de Lampião é, apenas, o mais notório.

Fora dessas atividades, ou seja, na política, no mundo empresarial e na literatura, as possibilidades de ascensão tendem a ser mais restritamente determinadas pela economia: nada surpreendentemente, portanto, em tais áreas, os litorâneos sempre dominaram.

Alianças Partidárias em Pernambuco

20/04/2010

O acolhimento no texto da Lei Eleitoral da possibilidade de os partidos se coligarem nos pleitos proporcionais foi motivado pela perspectiva de que os pequenos partidos sem a junção com outras legendas teriam dificuldades de ultrapassar os quocientes eleitorais e ocupar cadeiras no legislativo.

De fato, o progressivo crescimento do quociente eleitoral ao longo dos pleitos – resultante da gradual diminuição dos votos brancos e nulos como proporção dos votos apurados, combinada com a queda paulatina da abstenção como fração do eleitorado – torna-o cada vez mais inatingível para a maioria das agremiações partidárias.

Na última eleição para deputado federal em Pernambuco, por exemplo, dos 29 partidos que concorreram nada menos que 21 não ultrapassaram individualmente o quociente eleitoral de 167.571 votos, apesar de quatro deles terem conquistado cadeiras porque faziam parte de coligações, sendo beneficiados no processo de partição de sobras de votos.

A força eleitoral das coligações é tão evidente, no histórico das quatro últimas eleições para a Câmara Federal em Pernambuco, que somente partidos que celebraram alianças obtiveram cadeiras no Parlamento, embora 18 agremiações hajam concorrido isoladamente nesses pleitos.

O exemplo pernambucano dos deputados estaduais é menos radical, porém igualmente ilustrativo da predominância numérica e da força eleitoral das coligações. O percentual de cadeiras conquistadas pelas coligações em 1994 (98%), 1998 (96%), 2002 (96%) e 2006 (92%), fala po si só.

Diferentemente dos partidos que concorreram individualmente a deputado federal sem nunca obter sequer uma cadeira, de 1994 a 2006, as agremiações isoladas disputantes das vagas da Assembléia Legislativa estadual conquistaram três em 2006 e uma em cada um dos demais anos.

Do ponto de vista eleitoral, então, a celebração de alianças passou a ser uma questão de sobrevivência – e às vezes de negócio – para os pequenos partidos e um expediente que é dos mais vantajosos para os grandes. Estes últimos, normalmente com candidatos mais competitivos, tendem a se beneficiar da agregação de votos oriundos das siglas menores, já que os eleitos são os mais votados da coligação.

Com projeções para este ano de quocientes eleitorais mais elevados de que os da eleição de 2006, gravitando no entorno de 184.940 votos para deputado federal e de 95.079 votos para estadual, pode-se esperar a repetição de nova enxurrada de partidos coligados no pleito proporcional de 2010 no estado, dominando numericamente os resultados eleitorais.

Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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