OPOSIÇÃO, BEM-ESTAR E EMOÇÃO

06/02/2012

Adriano Oliveira

Oposição é o contraditório. Se A é favorável a ação Y, B pode ser contra em razão da ação Y não corresponder aos seus desejos. Entretanto, A e B podem ser favoráveis a ação Y, já que esta ação proporciona a consequência V, e A e B desejam para a sociedade os benefícios da consequência V. A lógica simples apresentada faz parte das relações de poder no governo federal. Não existe, desde o fim do governo de FHC, oposição ao PT. Atos oposicionistas sugiram no suposto Escândalo do Mensalão. Após isto, os partidos da oposição, PPS, DEM e PSDB, não mais tiveram condições de se contrapor ao governo do PT.

As causas que motivam a ausência de oposição pujante e robusta ao PT são duas. A primeira é de ordem política. Neste caso, variados partidos integram a coalizão partidária que apóia os governos do PT. Diante da oferta de espaços na máquina estatal, partidos passam a apoiar o governo do PT. Não existem razões ideológicas para tal apoio. É possível, e isto é uma hipótese, de que a redução de espaços no estado possibilite o recrudescimento da oposição.

A segunda causa é eleitoral ou mental. O governo Lula foi sábio. E Dilma é sábia, mas também possui convicção. O governo Lula demonizou o governo de FHC, e o PSDB aceitou isto passivamente. Lula não foi contra o Plano Real na campanha eleitoral que lhe possibilitou a conquista da presidência.

Lula em sua era manteve o controle da inflação, continuou a controlar os gastos públicos, manteve a recuperação gradual do salário mínimo. E fez algo mais, em razão das condições herdadas do governo de FHC: criou meios para favorecer o consumo. Por convicção e sabedoria, Dilma mantém as conquistas das eras de FHC e de Lula.

As ações meritórias de Lula em seu governo proporcionaram bem-estar ao eleitor. E parte deste, assim como variados parlamentares, é desprovida de razões ideológicas. Portanto, o que importa para o eleitor é seu estado mental, no caso, a felicidade e o bem-estar.

Os críticos da oposição ainda não identificaram o ponto central: o PT manteve a agenda do PSDB, e com isto, enfraqueceu o discurso da oposição. Desde a era Lula, a agenda do Brasil é única, a qual foi criada por FHC, qual seja: controle da inflação, controle dos gastos públicos, recuperação do salário mínimo e incentivo do consumo. Então, qual partido da oposição é contra tal agenda?

A oposição não findou no Brasil, ela apenas está enfraquecida em razão das causas apresentadas. Contudo, após as eleições municipais, ela poderá ganhar, lentamente, robustez. Mas isto só será possível se eventos econômicos desfavoráveis ameaçarem o bem-estar dos brasileiros e se surgir um candidato à presidente que emocione o eleitor.

Adriano Oliveira – Doutor em Ciência Política

Professor da UFPE

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http://www.leiaja.com/

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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