O TRABALHO DE TODOS NÓS

10/05/2012

Josué Gomes da Silva

Folha de S.Paulo, 30/04/2012

O Dia do Trabalho, comemorado em 1º de maio, foi instituído em 1889 num congresso socialista realizado em Paris, em homenagem à histórica greve geral ocorrida em 1886, na cidade de Chicago, então o principal centro industrial dos Estados Unidos. ram tempos de confrontos ideológicos entre esquerda e direita e de improdutivo antagonismo entre patrões e empregados, num mundo em efervescente transformação, motivada pelo debate das ideias de grandes filósofos, economistas e cientistas.

Não há dúvida de que o choque de conceitos, a livre discussão do pensamento e as reflexões emanadas da criação do Dia do Trabalho tiveram consequências positivas.

A principal delas refere-se a condições dignas quanto a salários, jornada, salubridade, segurança, saúde e direitos individuais e coletivos. Foram conquistas obtidas nos Estados democráticos de Direito, valorizando homens e mulheres. Infelizmente, tais avanços ainda não alcançaram os trabalhadores em todo o mundo.

A despeito de ideologias, foram se estabelecendo paulatinamente novos parâmetros para a relação entre empregadores e empregados. Hoje, vivemos uma revolucionária e saudável realidade nesse processo. Capital e trabalho constituem uma força sinérgica na afirmação dos valores do chamado capitalismo democrático -o modelo que o laboratório da história determinou como o mais viável para o ser humano concretizar o conceito filosófico de felicidade.

Empresas e seus colaboradores -dentre eles, os sócios

e os executivos- atuam de modo coeso em todos os setores de atividades, buscando construir riquezas, multiplicar empregos, promover o crescimento sustentado da economia e conquistar o desenvolvimento. Afinal, todos somos trabalhadores.

No Brasil, estabelecemos um instigante paradigma desse novo enfoque das relações trabalhistas. Exemplo positivo resultante desse avanço

foi a aprovação no Senado, terça-feira última, da alíquota de 4% para o ICMS nas operações interestaduais relativas a produtos importados.

A conquista, que colocará fim à “guerra dos portos” a partir de janeiro de 2013, quando entrará em vigor, resultou de mobilização conjunta das centrais sindicais e entidades de classe empresariais, numa atitude democrática e lúcida. Uma ação cívica que significará imenso benefício para o

país, considerando que as benesses fiscais no desembaraço de mercadorias estrangeiras em alguns Estados ofereciam incentivos aos produtos importados em detrimento da produção nacional.

É uma conquista do diálogo e do entendimento. É assim que o trabalho de todos nós está transformando o Brasil numa grande nação.

JOSUÉ GOMES DA SILVA escreve aos domingos nesta coluna.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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