O QUE É REJEIÇÃO?

31/01/2012

Adriano Oliveira

As pesquisas eleitorais revelam corriqueiramente a rejeição dos candidatos. A tese simplória é: quanto mais um candidato é rejeitado, menor as suas chances de vencer a eleição. Geralmente, os institutos de pesquisas questionam o eleitor se ele votaria com certeza ou de maneira nenhuma em dado candidato. Se a resposta for, por exemplo: 42% não votam no candidato X, políticos e publicitários afirmam logo que ele não tem chances de vencer a disputa eleitoral.

A rejeição a um candidato também é verificada através da Avaliação da Administração. Se o prefeito avaliado é aprovado por 22% dos eleitores, variados atores afirmarão que o prefeito não tem chances de ser reeleito ou o seu apoio para outro candidato é desprezível.

Outra variável, a qual é costumeiramente utilizada em pesquisas da Contexto Estratégia e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau, é se dado candidato merece ser reeleito ou eleito prefeito da cidade Z. Neste caso, busca-se verificar os sentimentos dos eleitores.

As variáveis apresentadas possibilitam verificar a rejeição dos atores políticos. Entretanto, a compreensão da variável rejeição não deve se limitar apenas a ela. A variável rejeição deve ser compreendida a partir da sua relação com a variável Nível de Conhecimento. Sendo assim, quanto mais um candidato é conhecido, mais plausível é a sua rejeição observada. O contrário também é verdadeiro.

Candidatos podem, de acordo com os sentimentos dos eleitores, não merecerem ser eleitos ou reeleitos. Mas como já frisei em outro artigo, eleitores não são árvores. Eles não estão presos ao solo. Portanto, os candidatos que hoje não merecem ser eleitos, amanhã poderão vir a ser. Deste modo, estratégias eleitorais e políticas podem mudar os sentimentos dos eleitores e, especificamente, a rejeição que estes têm em relação a dado candidato.

A variável rejeição é importante, pois ela representa o ato de rejeitar alguém. Contudo, assim como as diversas variáveis presentes num questionário de pesquisa, o seu valor não é constante. Portanto, os rejeitados de hoje podem não ser os de amanhã.

 

Adriano Oliveira – Doutor em Ciência Política

Professor da UFPE

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                                            Cientista Político – http://www.leiaja.com/

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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