O PT DE PERNAMBUCO E A DÚVIDA DO VÔO SOLO

29/01/2018

(Artigo publicado no Diario de Pernambuco em 15/01/2017)

 Maurício Costa Romão

Especula-se hoje em Pernambuco a união do PT com o PSB na eleição majoritária de 2018. Pesariam aí interesses mútuos, ligados (1) ao pleito para presidente; (2) ao tempo local de rádio e TV; (3) à agregação de votos do eleitorado petista à reeleição do governador e (4) ao espaço da chapa majoritária do PSB cedido a integrantes do PT.

A presumível aliança significaria, naturalmente, entoar o réquiem da candidatura própria do PT ao governo estadual defendida por alguns, e já com três pré-candidatos assumidos, sob o argumento que ela ajudaria a catapultar votos para as hostes petistas no pleito proporcional.

A questão principal da eleição proporcional, todavia, não é o atrelamento à candidatura própria majoritária, mas sim a decisão de o partido disputar o pleito isoladamente ou em coligação.

Nas últimas 4 eleições no estado para deputado federal o PT, em coligações, elegeu 3, 4 e 5 parlamentares, em 2002, 2006 e 2010, respectivamente. Se, entretanto, o PT tivesse concorrido em vôo solo, o número de eleitos seria o mesmo, o que mostra a força do partido naquele período.

Nas eleições de 2014, entretanto, o PT fez parte de uma chapa que conquistou 6 cadeiras, sendo 4 pelo PTB ( 465.366 votos), uma pelo PDT (138.156 votos) e outra pelo PSC (107.856 votos).

O PT teve um terço dos votos da aliança (384.699), mas ficou sem nenhuma vaga porque a votação individual de seus candidatos foi menor do que a de seus companheiros de aliança mais bem situados (os 6 primeiros). Tivesse concorrido isoladamente, o PT elegeria 2 parlamentares e ainda teria uma pequena sobra de votos para concorrer a uma vaga adicional.

Fica claro, portanto, que a decisão de se coligar passa não só pela expectativa do total de votos da coligação (que deve ser sempre superior a que o partido almejaria se disputasse isoladamente), mas também, pelo potencial de votos dos candidatos da aliança.

O quociente eleitoral para deputado federal em 2018 deve gravitar no entorno de 170 mil votos. Se o cálculo mais realista de expectativas do PT para esta eleição é ter uma votação, no máximo, próxima da de 2014, então, saindo sozinho, o partido tem alta probabilidade de fazer dois deputados (um, com certeza, diretamente pelo quociente partidário). Se for se coligar, há que ficar de olho nas votações dos concorrentes individuais dentro do conjunto. Aí pode eleger dois, um ou nenhum.

A direção partidária do PT local tem, como se vê, uma difícil decisão a tomar. Se for se balizar nas estatísticas gerais do partido no Brasil, o horizonte apontaria para o vôo solo. Isso porque, em 2014, incluindo o exemplo local, o PT elegeu 69 parlamentares federais, disputando sozinho em alguns estados e se coligando em outros. Não tivesse celebrado coligações teria elegido nada menos que 102 deputados, 33 a mais!

Pesa contra o vôo solo o retrospecto das eleições para a Câmara Federal em Pernambuco: nunca antes, na história deste país, nas últimas 8 eleições pós redemocratização, um parlamentar federal de qualquer partido foi eleito sem ser por uma coligação…

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Maurício Costa Romão, é Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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