O “ÍNDICE DE AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO” DO GOVERNO DILMA ROUSSEFF

30/06/2013

Fonte: elaboração própria com base em pesquisas do Datafolha

Maurício Costa Romão

Em texto intitulado “Pesquisas eleitorais: construindo um ‘índice de avaliação da administração’”, publicado no blog do autor, foi feita a sugestão de se adotar um indicador sintético, consequentemente objetivo, de fácil apreensão, que pudesse exprimir, sem margem de dúvidas, o sentimento do eleitor sobre a avaliação da administração do governante extraída das pesquisas eleitorais.

Na forma com é hoje apresentada pelas pesquisas, com suas cinco subcategorias (ótimo, bom, regular, ruim e péssimo), essa dimensão não propicia, na grande parte das vezes, uma visão clara da avaliação do governante, dando margem a várias interpretações, dependendo de como a leitura dos números é feita.

Por exemplo, nesta última pesquisa do Datafolha, de 27 e 28 de junho corrente, a avaliação da administração da presidente Dilma Rousseff apresentou os seguintes números: 30% de ótimo e bom, 43% de regular e 25% de ruim e péssimo.

Pergunta: essa é uma avaliação boa? É uma avaliação ruim? É uma avaliação mais ou menos? Qual é o critério que se tem para classificar a administração como tendo uma avaliação boa, ruim ou mais ou menos?

O próprio Datafolha não emitiu opinião sobre se os números da pesquisa sugeriam que a gestão da presidente poderia ser enquadrada como boa, ruim ou regular. E nem poderia. Não existe parâmetro de referência para esta classificação. O que o Datafolha faz é comparar os números de uma dada pesquisa com outros de pesquisa anterior.

O índice proposto, denominado de Índice de Avaliação da Administração (IAA), tem a vantagem de eliminar as subjetividades envolvidas na leitura dos números e apontar o grau de avaliação que foi conferido ao governante.

O IAA mensura o saldo entre as subcategorias de ótimo (O) e bom (B) e ruim (R) e péssimo (P):

IAA = [(O+B) – (R+P)] / [(O+B) + (R+P)]

No índice, a subcategoria “regular”, que resume o conteúdo “mais ou menos”, composto de “coisas ótimas e boas” e “coisas ruins e péssimas” da administração, é distribuída proporcionalmente entre todos os componentes da dimensão. A mesma distribuição proporcional é feita com a subcategoria residual de “não sabe, não respondeu”.

No caso do governo Dilma Rousseff o gráfico que acompanha o texto mostra que, de janeiro de 2012 a março de 2013, a gestão da presidente era considerada pela população como tendo “avaliação positiva alta” (índices superiores a 0.80).

Já na pesquisa dos dias 6 e 7 de junho, antes das manifestações de rua, a gestão petista foi avaliada no espectro de “avaliação positiva média” (índices entre 0,50 e 0,80).

Agora, neste último levantamento dos dias 27 e 28, a insatisfação das ruas atingiu em cheio a presidente e a avaliação da sua administração teve uma impressionante regressão, sendo enquadrada apenas como de “avaliação positiva baixa” (índices maiores que zero e menores do que 5,0).

Vê-se agora que as dúvidas expressas antes sobre qual seria realmente o conceito que deveria ser atribuído à presidente são dissipadas. Já é possível enquadrar seu desempenho à frente do governo numa escala de “notas” que registra o grau de satisfação ou insatisfação dos eleitores.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br http://mauricioromao.blog.br.

 

 

Um comentário
ORLANDO SILVA FILHO

Bom dia. O índice de aprovação da nossa presidente Dilma caiu em função de sucessivos erros( gastos com empreendimentos desnecessários para o país-Trem Bala, estádios de futebol entre outros), condições da saúde pública, transporte de péssima qualidade e caro, falta de segurança nas cidades brasileiras, código criminal ultrapassado, corrupção, o empenho do PT em livrar os mensaleiros, condições dos aeroportos brasileiros que é um caos, salários indecentes dos aposentados, o absurdo que o presidiário ganha por filho, entre outros absurdos que é de conhecimento público. O Pt teve a sua oportunidade de fazer um governo correto que serveria de modelo para os próximos, porém falhou. Não deu os exemplos necessário para a população acreditar que a situação esta melhorando e ao invés disso criou bolsas, bolsas essas que não dá o resultado esperado, em função do paternalismo com o dinheiro público. Tem que dar condições desse pessoal trabalhar para merecer o dinheiro que recebem. É muito comodo ganhar votos em cima desse tema"bolsa", volto a falar com o dinheiro de quem produz e nada tem. Ano a ano a arrecadação do governo federal bate recordes e nunca dá. tudo o que fazemos é tachado e só esta faltando pagarmos pelo ar que respiramos, como aparecia em uma propaganda de tempos atrás. Orlando

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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