O ÍNDICE “AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO” EM PESQUISA ELEITORAL E A SUBCATEGORIA “REGULAR”

21/06/2013

 

Mauricio Costa Romão

No quesito “avaliação da administração” dos governantes a forma predominante usada pelos institutos de pesquisa é indagar aos respondentes se o mandatário está realizando uma administração “ótima, boa, regular, ruim ou péssima”.

Numa dada pesquisa, considere-se que as variáveis x*, y* e z* representam as seguintes subcategorias:

x* é a quantidade de avaliações ótima e boa;

y* é a quantidade de avaliações regular;

z* é a quantidade de avaliações ruim e péssima.

Para facilitar, imagine-se que y* inclui também as respostas “não sabe/não respondeu” dos eleitores, que é uma subcategoria residual e normalmente de pouca monta na dimensão “avaliação da administração”.

Tome-se, por suposto, ainda, que sempre haverá entre os eleitores pesquisados pelo menos uma declaração de ótimo ou bom, de regular e de ruim ou péssimo. Ou seja:

x* > 0; y* > 0 e z* > 0.

Embora haja a possibilidade de que x* seja eventualmente igual a z* em uma determinada pesquisa eleitoral, não obstante tal fato seja pouco provável acontecer na prática, é conveniente admitir que x*z*.

Somando as quantidades declaradas das subcategorias, tem-se:

x*+ y* + z* = T   [1]

em que T é a quantidade total de avaliações da categoria que vai de ótimo a péssimo captada pela pesquisa.

Passando a equação [1], que está expressa em quantidades, para percentagens, vem:

x*/T + z*/T + y*/T = 1

Chamando x*/T de x, z*/T de z e y*/T de y, tem-se:

x + y + z = 1 

Já se chamou à atenção recentemente (vide “Pesquisas eleitorais: construindo um ‘índice de avaliação da administração’”, publicado neste blog) para o fato de que as pesquisas terem dificuldade de lidar com a dimensão “avaliação da administração”, pois não existe parâmetro de referência para classificar uma gestão como ótima ou boa, regular, ou ruim ou péssima. Há muita subjetividade (juízo de valor) envolvida na leitura dos números.

Daí por que foi sugerido, no texto referido acima, a adoção um indicador sintético, de fácil apreensão, que pudesse exprimir, sem margem de dúvidas, o sentimento do eleitor sobre a avaliação da administração do governante extraída das pesquisas eleitorais.

O índice proposto, denominado de Índice de Avaliação da Administração (IAA), mensura o saldo entre as subcategorias de ótimo e bom e ruim e péssimo, dentro de uma escala de gradação, que vai de “Avaliação Positiva Alta” a “Avaliação Negativa Alta”. Um saldo positivo significa indicador de aprovação e um saldo negativo, sintoma de reprovação, tornando possível enquadrar o desempenho da gestão do governante numa escala de “notas” que registra o grau de satisfação ou insatisfação dos eleitores.

No novo índice, a subcategoria “regular”, que resume o conteúdo “mais ou menos”, composto de “coisas ótimas e boas” e “coisas ruins e péssimas” da administração, é distribuída proporcionalmente entre todos os componentes da dimensão. A mesma distribuição proporcional é feita com a subcategoria residual de “não sabe, não respondeu”.

Após as simplificações procedidas e adotando a nomenclatura exposta acima, o IAA pôde ser escrito então como:

 IAA = (x z) / (x + z)

Note-se, entretanto, que na fórmula do índice IAA a subcategoria regular (y) não aparece. É como se essa subcategoria fosse desprezada, descartada, anulada; como se as manifestações dos eleitores que veem a gestão governamental como “mais ou menos” fossem desconsideradas, enfraquecendo o poder explicativo do índice.

Na fórmula, contudo, a subcategoria regular (que inclui as respostas residuais de não sabe, não respondeu) está implícita e se distribui proporcionalmente entre as respostas ótima e boa e ruim e péssima dadas pelos entrevistados. É o que se pretende demonstrar.

Repartindo proporcionalmente y entre x e z, o índice IAA assume a seguinte expressão:

IAA’ = [(1+ y)x - (1+ y)z] / [(1+ y)x + (1+ y)z]

onde IAA’ é o índice que incorpora a subcategoria regular distribuída proporcionalmente entre as demais subcategorias. Se a fórmula original do IAA também incorpora essa subcategoria regular, conforme dito antes, então:

IAA = IAA’

Logo:

(x – z) / (x + z) = [(1+ y)x - (1+ y)z] / [(1+ y)x + (1+ y)z]

Desenvolvendo a igualdade acima, tem-se:

[(1+ y)x + (1+ y)z] (x – z) = (x + z) [(1+ y)x - (1+ y)z]

+ x²y xz xzy + xz + xzy - - z²y =+ x²y xz xzy + xz + xzy -- z²y

Do que resulta:

0 = 0

Em outras palavras, resta comprovado que o índice de avaliação da administração IAA, embora não explicite, embute a distribuição proporcional da subcategoria regular entre ótimo e bom e ruim e péssimo.

c.q.d.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br http://mauricioromao.blog.br.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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