O IMPASSE TUCANO EM SÃO PAULO

27/02/2012

 

 

Marcos Coimbra

26/2/2012

Não faz muito tempo, brincava-se, nos meios políticos, com a mania que os petistas tinham de criar complicações para si mesmos. Complicações desnecessárias, que podiam perfeitamente evitar.Era um que falava demais, outro que dizia inconveniências, alguns que não sabiam se comportar. Por uma razão ou por outra, expunham suas desavenças e criavam embaraços para todos. O que devia ficar entre quatro paredes saía no jornal.

Os próprios petistas eram seus maiores inimigos.

Hoje, depois de oito anos de Lula e neste início de segundo ano de Dilma, o PT parece estar pacificado. As futricas internas e as clivagens entre seus grupos e correntes não desapareceram, mas foram apaziguadas. Ninguém dá caneladas nos companheiros, seja por descuido ou de propósito (a não ser com discrição, longe dos holofotes).

Enquanto isso, o PSDB, em sua mais tradicional cidadela e na eleição de maior visibilidade nacional, age de maneira oposta. Nos últimos quinze dias, fez tudo que podia fazer de errado.

A escolha do candidato tucano a prefeito de São Paulo se tornou um espetáculo de forte desgaste para o partido. Que poderia ter sido evitado, pois quem o inventou e encenou foi o próprio PSDB.

Seria um exagero dizer que a secção paulista do partido define sua imagem nacional. Afinal, apenas 20% de bancada parlamentar do PSDB vem do estado e o “candidato óbvio” a presidente em 2014 – nas palavras de seu mais ilustre expoente, o ex-presidente Fernando Henrique – é o mineiro Aécio Neves.

Mas é impossível negar o peso que os paulistas têm no partido. Apenas para ilustrar: desde sua criação, em 1988, todos seus candidatos à Presidência da República vieram de São Paulo – Mário Covas, Fernando Henrique, Serra e Alckmin.

Nas idas e vindas do episódio de agora, o PSDB paulista só emitiu sinais negativos. Que não é capaz de definir como prefere escolher seu candidato, hesitando entre fazer prévias junto a seus filiados ou deixar que os “notáveis” decidam. Que está fragmentado e confuso, dividido em alas que mal conseguem dialogar. Que não tem lideranças que exerçam, com legitimidade, a função de liderar.

Nas palavras de Arnaldo Madeira, peessedebista paulista de alta plumagem – foi líder do governo Fernando Henrique na Câmara e secretário da Casa Civil de Geraldo Alckmin: “O partido não sabe para aonde vai. Essa falta de rumo afeta o PSDB há alguns anos, não é de agora (…). O partido está sem direção, perdido nacionalmente e em lugares como São Paulo, único lugar em que o partido existe para valer”.

Fora os exageros, a irritação de Madeira talvez decorra da crise atual – pois parece não engolir a submissão de seu partido aos vacilantes humores de José Serra, em sua hamletiana dúvida entre ser e não ser candidato-, mas o diagnóstico que faz sobre o PSDB é mais profundo – e verdadeiro.

No momento em que o PSDB mais precisaria mostrar-se capaz de se tornar (ou de voltar a ser) um meio de expressão e um canal de representação para uma parcela importante da sociedade brasileira – contrapondo-se ao PT, a Lula e a Dilma -, marca passo e retrocede em São Paulo.

Seus líderes locais parecem fortes, mas estão “perdidos”, como diria Arnaldo Madeira. As lideranças nacionais tucanas assistem de longe. Deixam nítido que o partido não tem uma instância de articulação nacional, que evite que conflitos paroquiais o afetem como um todo.

E ainda tem gente que não entende porque Lula e o PT se tornaram o que são no Brasil.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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