O EQUIVOCO DA OPOSIÇÃO EM RECIFE

07/03/2012

 

Adriano Oliveira

Diante de um prefeito mal avaliado, os candidatos da oposição (DEM, PSDB, PPS e PMDB) acreditam que podem vencer a disputa eleitoral contra João da Costa. Esta crença é cabível, ou seja, é possível que um candidato da oposição ao PT vença a eleição municipal de 2012. Entretanto, variados atores da oposição estão sendo míopes na análise da conjuntura, na prospecção de cenários e na definição de estratégias.

O tempo da política não é, necessariamente, o tempo do eleitor. Os atores da oposição desejam resolver inicialmente a política. Para depois, pensar em conquistar o eleitor. Este é o primeiro erro da oposição. Antes de definir as alianças políticas, os candidatos da oposição já deveriam saber quem têm chances de vencer a disputa em Recife. Com esta resposta, a qual é fácil de obter por meio de pesquisas adequadas, as discussões políticas seriam iniciadas.

Enquanto o prefeito João da Costa busca conquistar o eleitor, no caso, recuperar a admiração dos eleitores, a oposição discute as alianças políticas e esquece de criar meios para conquistar o eleitor. Lembro que a última pesquisa do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau revelou que nenhum candidato da oposição, considerando a margem de erro do levantamento, tem mais votos do que o prefeito João da Costa. Este é o dado importante, o qual ninguém deseja considerar.

A estratégia de alguns atores da oposição requer justificativa plausível, pois, na minha avaliação, ela irá conduzir ao erro. O que escuto é o seguinte: quanto mais candidatos, melhor, já que a eleição irá para o segundo turno. Lógica que carece de comprovação empírica.

Proponho que os atores da oposição analisem as últimas eleições para prefeito do Recife. Após a análise, observem que existe uma lógica clara nas últimas eleições, qual seja: a eleição em Recife é polarizada – dois atores disputam o eleitor. É óbvio que a regularidade é um indicador importante para a análise política. E é óbvio também que regularidades sofrem inflexão. Porém, a regularidade não deve ser desprezada.

Mais candidatos não significam necessariamente segundo turno. Pois, o candidato da situação pode crescer a tal ponto que o principal candidato da oposição não consiga obter, junto com os demais, votos suficientes para levar a disputa para o segundo turno. Ressalto, ainda, que mais candidatos da oposição podem não chamar a atenção do eleitor, e esta (atenção), por sua vez, rumar para o candidato da situação – esta é a lógica das últimas eleições do Recife.

A estratégia de alguns competidores da oposição não é plausível e é incoerente com a conjuntura. Se o prefeito está mal avaliado, qual é a razão de defenderem a tese de múltiplas candidaturas, em vez de uma candidatura polarizada, onde a principal estratégia é o debate de quem pode fazer o melhor pelo Recife?

Adriano Oliveira – Doutor em Ciência Política

Professor da UFPE

twitter.com/adriano_oliveir

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http://www.leiaja.com/

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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