O CONTROLE DAS PESQUISAS ELEITORAIS (Parte III – Final)

16/11/2012

 

Maurício Costa Romão

Parte III – Final

Como se disse antes, os projetos que intentam controlar a metodologia e/ou a divulgação das pesquisas, têm como pano de fundo a eventual capacidade de as pesquisas determinarem o resultado eleitoral. Este é um assunto deveras controverso.  Com efeito, a distinção entre apenas aferir a opinião pública e influenciar essa opinião é assunto não resolvido, teórica e empiricamente. 

As pesquisas eleitorais exercem um importante papel de comunicação, que é o de expressar para a sociedade o que é que o eleitor está pensando sobre as eleições, quais são seus sentimentos e expectativas, quais suas preferências pelos prováveis candidatos, etc.

Em princípio, então, as pesquisas são meros veículos de aferição do que pensam os eleitores e apenas espelham o sentimento prevalecente da população num dado instante de tempo. As pesquisas são a caixa de ressonância do pensamento do eleitor.

Acontece que elas são protagônicas. Quando são publicadas passam a ser o farol que ilumina as discussões político-partidário-eleitorais. Daí por que são o alvo preferencial dos que se sentem prejudicados.

Nesse sentido as pesquisas são “ditadoras”. Para um candidato que está na frente em intenção de votos a pesquisa funciona como uma peça de seu marketing, assim como ele usa sua propaganda, seu jingle de campanha, etc. O candidato se utiliza da pesquisa como forma de mostrar seu favoritismo e de estimular o voto útil, voto que premia quem está na frente nos levantamentos eleitorais. Quem está atrás na pesquisa, por sua vez, tenta desqualificá-la, buscando atingir sua credibilidade.

Em resumo, há relativo entendimento na literatura especializada de que as pesquisas influenciam uma parcela do eleitorado, notadamente a de renda e escolaridade mais baixas, mas não a ponto de definir eleições. Ganhar eleição mesmo, quem ganha é o candidato, não é a pesquisa.

Já os projetos de lei que propõem restrição à liberdade de divulgar pesquisas, são piores ainda, pois estão mais do que tolhendo o legítimo direito do público à informação. Estão, na verdade, privilegiando apenas aqueles que podem pagar pela informação e dela dispor da maneira que lhes aprouver. Decididamente, não é por aí. As pesquisas carecem de aperfeiçoamentos, claro, mas não de amarras legais.

Por fim, quem deve controlar as pesquisas é o mercado! Um instituto de pesquisa de opinião vive de sua credibilidade. Sua permanência no mercado político-eleitoral, que é bastante competitivo, depende crucialmente dos resultados que apresenta.

Se esses resultados forem sendo percebidos com acurados, consistentes, próximos aos oficiais, mesmo que alguns se situem fora das margens de erro, o que é inevitável, então o caminho de sucesso comercial desse instituto estará pavimentado por muito tempo.

Se, entretanto, tais resultados forem frequentemente errôneos, se estiverem constantemente sob suspeição, e em particular, se a entidade passa a carregar a pecha de venal, então sua inidoneidade é decretada pelos contratantes e sua saída do mercado é iminente.

Assim, os institutos são os maiores interessados em que sua imagem não seja objeto de deslustre, de questionamentos quanto à ética e à idoneidade, e empregarão todas as suas faculdades e competências para apresentar bons resultados, os quais serão seu cartão de visitas para as eleições seguintes e a fonte de suas receitas financeiras.

Portanto, o maior atributo de um instituto de pesquisas é a sua credibilidade; por que decretar seu próprio fim, perdendo-a?

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br http://mauricioromao.blog.br.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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