O “CONTROLE” DAS PESQUISAS ELEITORAIS (Parte I)

14/11/2012

Maurício Costa Romão

Parte I

Após o primeiro turno da eleição deste ano, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que o Congresso Nacional deve discutir a metodologia usada em pesquisas eleitorais para evitar que elas se transformem em “instrumentos de campanha”.

Recentemente, o blog de Jamildo Melo postou instigante matéria (Campo Minado”, 25/09/2012), em meio à qual transcreve trechos que embasam uma proposta de maior controle das pesquisas eleitorais, da lavra do nobre deputado federal Sílvio Costa, a ser apresentada à Câmara dos Deputados.

A justificativa do atuante e combativo parlamentar de submeter tal projeto à apreciação de seus pares é assim explicada, in verbis:

“Precisamos amarrar melhor a elaboração e a apresentação destas pesquisas. Hoje, é uma bagunça. Em algumas cidades do interior, um candidato com 12% na frente é surpreendido pela divulgação de outra pesquisa, em um blog ou um site, apontando um concorrente na frente. Como pode?”.

“O fenômeno ocorre no Brasil inteiro. Alguns donos de instituto de pesquisa se acertam com candidatos, fazem o registro e usam as redes sociais para espalhar a notícia. A força das redes sociais hoje é assustadora e acaba levando muitos incautos a erro, induzindo as campanhas em alguma direção. Isto gera um inferno na campanha e na vida dos demais candidatos prejudicados. Os donos dos institutos de pesquisa acabam tendo um poder político enorme (que pode ser usado para o mal)”.

A questão do controle das pesquisas é recorrente: aparece no noticiário em todas as eleições majoritárias e há dezenas de projetos de lei no Congresso sobre o assunto, sempre tendo como fundamento a possível influência desses levantamentos sobre a decisão do eleitor (ponto que será abordado mais à frente).

Alguns projetos intentam proibir a divulgação das pesquisas 15, 30, 45 dias antes do pleito. Outros almejam obrigá-las a ouvir tantos por cento do eleitorado. Outros, ainda, estipulam que a margem de erro deva ser no máximo de 1%, e por aí vai.

Tais propostas não fazem o menor sentido!

À guisa de ilustração: o senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas, propôs um projeto no Senado em que as pesquisas nacionais ouvissem pelo menos 0,01% do eleitorado. Ora, isso equivale a cerca de 14 mil eleitores. Quem vai fazer uma pesquisa desse tamanho, quando se obtém os mesmos resultados com 2 mil eleitores? Além do custo, bem mais elevado, trata-se de desperdício de energia e tempo.

O ilustre senador, ainda por cima, associa tamanho de amostra à precisão, numa relação direta: quanto maior o tamanho da amostra, maior é a precisão dos resultados. Não necessariamente! O importante de uma amostra não é o tamanho, mas sua representatividade do universo pesquisado.

Ademais, uma das principais fontes de discrepância dos números das pesquisas em relação aos resultados das urnas não depende do tamanho da amostra: trata-se do erro não amostral, proveniente de fatores ligados à metodologia de concepção da pesquisa ou à sua operacionalização em campo (questionários mal elaborados, despreparo técnico dos pesquisadores, dados socioeconômicos defasados ou inadequados, supervisão de campo deficiente, etc.). (Continua na Parte II).

 

Nenhum Comentário
Deixe seu comentário
Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

continue lendo >> Maurício Romão

Copyright © 2012 Maurício Romão. Todos os direitos reservados.

Desenvolvimento: 4 Comunicação