O CONTADOR DE VOTOS

15/09/2011

 

Por Adriano Oliveira

leiaja.com, 14/09/2011

Os contadores de votos estão em toda parte. Na Academia, na imprensa e nos partidos políticos. Os contadores de votos fazem pesquisas e olham sempre e exclusivamente para a variável intenção de voto. O que importa para eles é o percentual do primeiro colocado. Se o candidato X tem 38% e o segundo colocado (Y), 19%, o contador de votos afirma imediatamente: “O candidato X deve vencer a eleição”. Quanto mais próximo do pleito, maior a convicção do contador de votos. O contador de votos não trabalha com hipóteses. Ele parte da premissa única de que escolhas feitas, escolhas consolidadas.

Os contadores de votos desconhecem a trajetória do eleitor. Para eles, os eleitores não sofrem influência das estratégias eleitorais e de outros eleitores. Esquecem ou não sabem que indivíduos interagem, formam preferências e fazem escolhas. A interação, a formação das preferências e as escolhas ocorrem numa trajetória.

Geralmente, os contadores de votos se decepcionam, silenciam e mudam de opinião. Candidatos se decepcionam e responsabilizam os institutos de pesquisas. Frisam, quase sempre, que eles erraram. Alguns acadêmicos ficam em silêncio ou decidem fazer um estudo pós-eleição para explicar as variáveis que possibilitaram a derrota de dado candidato. E a imprensa muda rapidamente de opinião.

Algumas obras presentes na literatura mostram que os contadores de votos precisam ficar atentos. Recomendo dois excelentes livros: Emoções ocultas e Estratégias eleitorais, de Antônio Lavareda. E Campaign Communication & Political Marketing, de Philippe j. Maarek. Além do meu recente artigo: O lulismo e as suas manifestações no eleitoradohttp://seer.u frgs.br/debates/article/view/20412 Estas obras mostram o papel/importância das estratégias eleitorais e da conjuntura junto ao comportamento do eleitor.

Eleições municipais ocorrerão no próximo ano. Os contadores de votos já começaram a contar. Para eles, quem parte na frente ganha. Eles, infelizmente, não consideram os seguintes pontos:

  1. Prefeitos bem avaliados são reeleitos e perdem eleições.
  2. Prefeitos mal avaliados perdem e ganham eleições.
  3. As estratégias eleitorais importam. E elas, quando criadas adequadamente, podem mudar as escolhas dos eleitores.
  4. Boas ideias precisam ser ofertadas ao eleitor de maneira estratégica. Caso não, será uma boa ideia, mas sem efeito junto ao comportamento do eleitor.
  5. Pesquisas eleitorais revelam o instante. Mas podem possibilitar a construção de prognósticos eleitorais.
  6. Neste instante, o mais importante é identificar as condições de crescimento dos candidatos. Pesquisas sábias têm condições para tal.

Adriano Oliveira – Doutor em Ciência Política

Professor da UFPE

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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