O ANTIGO E O NOVO PSD

23/04/2011

 

Editorial da Folha de Pernambuco, 23/04/2011

É difícil traçar um paralelo entre os dois partidos, principalmente por se tratar de realidades já distantes no tempo, desde quando da fundação e ações do antigo Partido Social Democrático (PSD). Compará-los é quase impossível devido às características marcantes do primeiro, que teve mais de 20 anos de existência e o recém-nascido (ainda sem registro oficial) PSD. O mundo mudou; o Brasil também, assim como o estilo dos políticos em décadas passadas e os “cristãos novos” atuais, que começam a se alinhar sob a nova legenda partidária.

Não há a menor intenção nestas linhas em desqualificar a iniciativa do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Ambos, o do passado e o do presente, são agremiações diferentes, como não poderia deixar de ser, porém denominadas com a mesma sigla.

A fundação do antigo Partido Social Democrático (PSD) data de 17 de julho de 1945, sob os auspícios do ex-presidente Getúlio Vargas, também inspirador do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), na mesma época, este último para se tornar um contraponto à influência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) junto ao operariado, no qual amplas parcelas simpatizavam e respeitavam seu líder maior, Luís Carlos Prestes.

O PSD sobreviveu até quando o ciclo militar extinguiu por intermédio do AI-2 todos os antigos partidos, criando o MDB e a Arena para melhor controlar o Congresso Nacional no simulacro de democracia que pretendiam exibir para o exterior.

O PSD e o PTB diferiam desde o início porque o primeiro tinha sua base mais sólida no interior do País, congregando a liderança dos “coronéis” e outros chefes políticos, enquanto o segundo possuía uma face cuja maioria era urbana. Nesse período o setor agrícola dominava a economia nacional até quando o ex-presidente Juscelino Kubitschek, na metade da década de 1950, deflagrou a industrialização no Brasil, dando ensejo a uma ideologia que viria a ser chamada de “desenvolvimentista”.

O PSD do passado possuía um formato híbrido, ou dupla face: majoritariamente rural e minoritariamente urbano, porém em ascensão  depois do êxito do processo industrialista do governo Kubitschek.

Restaurado o pluripartidarismo com o fim do regime militar, o PSD ressurgiu em 1980, sem obter o sucesso dos anos 40 e 50, sendo em 2002 a última eleição de que participou para, em 2003, ser incorporado ao Partido Trabalhista Brasileiro inteiramente desfigurado do seu ideário do passado, tornando-se uma legenda que encobria a adesão dos seus principais dirigentes aos saudosos do golpe de 1964.

Agora, eis que surge, não como a mitológica fênix, um novo PSD, por iniciativa do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já tendo um pré-programa partidário com 12 “mandamentos”, cuja essência é sintetizada como uma proposta de “liberalismo com viés social”.

Algo, a nosso ver, a exigir melhor definição, pois se situa transitando, com desenvoltura, entre correntes políticas opostas, sem se assemelhar às idéias que balizavam a Terceira Via, que prosperou durante alguns anos na Europa, isto é, o reformismo da social-democracia naquele continente, hoje sem adeptos notáveis.
De qualquer maneira, não se estigmatize o ainda jovem PSD em formação, pois diversos dos seus futuros quadros que despontam têm bom conceito e aptidões para o exercício das causas de interesse público.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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