O ANTIGO E O NOVO PSD – I

05/10/2011

Editorial da Folha de Pernambuco, 29/09/2011

Décadas decorreram desde quando surgiu o antigo Partido Social Democrático (PSD), fundado após a deposição do presidente Getúlio Vargas, em 1945, juntamente com outros, a exemplo da União Democrática Nacional (UDN), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Social Progressista (PSP), Partido de Representação Popular (PRP), Partido Comunista Brasileiro (PCB), cuja legalidade teve curta duração, e outros de menor expressão eleitoral e ideológica no período que sucedeu a anistia, resultando nas eleições gerais para a Constituinte de 1946.

Cabe uma síntese que explique aos mais jovens tal quadro partidário do passado: o PSD e a UDN eram conservadores, o primeiro com maior número de bases no interior, enquanto o segundo as tinha, principalmente nas capitais e cidades grandes.

O PTB, sob inspiração de Vargas, também urbano, surgiu como uma tentativa de deter o avanço do PCB, cooptando lideranças sindicais urbanas e setores populares, prática que popularizou a palavra regionalista gaúcha pelego (manta que se coloca entre cavaleiro e cavalo, a fim de amaciar o peso), e muitos outros nomeados para exercer cargos nos institutos de previdência.

Apesar dessa característica, o partido tinha importantes líderes, no plano nacional, a exemplo do ex-presidente João Goulart, Leonel Brizola, San Thiago Dantas, o respeitado teórico do trabalhismo  Alberto Pasqualini, Fernando Ferrari, Almino Afonso, Temperani Pereira, Doutel de Andrade, Lúcio Bittencourt, Amauri Silva, Osvaldo Lima Filho, Wilson Fadul, os três últimos ex-ministros de Jango na agonia que precedeu abril de 1964, afora inúmeros nomes que se destacaram no PTB, cujos alicerces se assentavam na legislação trabalhista e previdenciária instituída por Getúlio Vargas, antes de 1945, seguida e aperfeiçoada pelo seu herdeiro político, João Goulart até sua deposição.

O PSP era uma organização partidária com significativa base eleitoral em São Paulo, comandado pelo personalismo do ex-governador Ademar de Barros, muito forte em terras paulistas, e com ramificações em outros Estados. É possível defini-lo como adepto de um populismo piorado, tantas eram os desvios de conduta no trato da coisa pública, somente vencido pelo fenômeno Jânio Quadros em algumas eleições, em cuja passagem pela Presidência da República revelou-se um aventureiro, ao renunciar ao mandato que conquistou, derrotando o honrado opositor, marechal Henrique Duffles Teixeira Lott, em 1960.

O PRP, liderado por Plínio Salgado (foi candidato à Presidência, em 1955), em sua maioria, era constituído de ex-integralistas, ou seja, seguidores de uma doutrina comparável ao “fascismo caboclo”
Já o PSB, possuidor de quadros intelectualizados, não conseguiu avançar, eleitoralmente, mesmo sendo um partido respeitado, tendo, entre outros nomes nacionais, João Mangabeira, e em nosso Estado pessoas dignas como o ex-prefeito e ex-vice-governador Pelópidas Silveira, Francisco Julião, Antônio Baltar etc.

Por fim, o líder maior do PCB, tanto na legalidade como na clandestinidade, foi Luís Carlos Prestes, eleito senador, em 1946, pelo Rio de Janeiro e deputado federal por cerca de 7 ou 8 Estados (inclusive Pernambuco), porque a legislação eleitoral da época assim o permitia, sendo um dos constituintes de 1946, juntamente com Gregório Bezerra, Carlos Marighela, Alcedo Coutinho e outros parlamentares da mesma extração ideológica.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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