NUNCA FUI ENTREVISTADA!

07/01/2012

Eleitora

“Muitas pessoas que conheço dizem que as pesquisas são fabricadas, pois nunca foram entrevistadas e não conhecem ninguém que foi.  Eu mesma nunca fui pesquisada!”

Maurício Costa Romão

Eu também nunca fui! Mas veja, do ponto de vista estatístico e probabilístico não há nada de errado em você nunca ter sido entrevistada. As pesquisas de intenção de voto são amostrais, consultam apenas uma pequena parte da população. Daí por que ser raro, muito raro, um determinado eleitor fazer parte de uma dessas amostras aleatórias. Observe-se, por exemplo, o caso brasileiro, que tem um universo de 136 milhões de eleitores. Os institutos de pesquisa fazem, em geral, levantamentos de 2.000 questionários em pesquisa nacional para Presidente. A chance de um eleitor em 136 milhões ser entrevistado numa amostra de 2.000 questionários é baixíssima: apenas um eleitor em cada grupo de 68.000!

Imagine um grande bairro ou uma cidade com 68.000 habitantes. Só uma pessoa, escolhida ao acaso, seria entrevistada. Ou seja, seriam necessárias 68.000 pesquisas, com amostras de 2.000 eleitores, para que os pesquisadores pudessem entrevistar todo o eleitorado brasileiro. Naturalmente, quanto menor é o universo de eleitores maior é a chance de uma pessoa ser entrevistada, para um mesmo tamanho de amostra. Por exemplo, a chance de um eleitor ser pesquisado em Pernambuco é cerca de 22 vezes maior que no Brasil, para uma aplicação de 2.000 questionários,. Ainda assim, não é fácil encontrar um eleitor pernambucano que haja sido entrevistado. Nós aqui nesta mesa somos um exemplo disso. No Recife, com um universo de 1,2 milhão de eleitores no município, uma pesquisa de 800 questionários, como a que fizemos em dezembro, dá uma chance de um eleitor de vir a ser abordado por um pesquisador de tão somente 0,067%, que dizer, uma chance em cada 1.500. Ou dito de outra forma, apenas um eleitor em cada grupo de 1.500 é entrevistado. Enfim, a gente aqui nunca ter sido entrevistada é uma fatalidade da estatística. Aconteceu também com milhares de outros eleitores. Então, não existe esta história de fabricar pesquisas.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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