NÚMEROS EM TRÂNSITO

28/07/2014

Maurício Costa Romão

Nas simulações de segundo turno os institutos de pesquisa formulam a seguinte pergunta-padrão (exemplo do Datafolha):

“Se o segundo turno da eleição para presidente fosse hoje e a disputa ficasse apenas entre _____ em quem você votaria?”

Por mais que pareça redundante, é oportuno enfatizar que a pergunta restringe a quantidade de candidatos do primeiro turno a apenas dois no segundo.

Essa ênfase vem a propósito de matéria veiculada no Blog da Cidadania, no dia 18 próximo passado, sob o título“Governo Dilma duvida do Datafolha, principalmente sobre 2º turno”, cujos parágrafos que têm interface com o presente texto estão reproduzidos abaixo:

“A recém-divulgada pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial foi recebida com espanto e até com indignação pela área de Comunicação do governo Dilma Rousseff. No Datafolha, Dilma aparece com 36%, Aécio com 20%, Eduardo com 8% e pastor Everaldo com 3%; brancos e nulos somam 13% e indecisos, 14%.”

“…Mas é sobre o segundo turno que a pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (17) derrapou mais, na visão do governo Dilma. Segundo a fonte consultada, “não tem lógica Aécio ficar estacionado no primeiro turno e ganhar 20 pontos percentuais no segundo enquanto Dilma só ganha 8 pontos”.”

O resultado do Datafolha não só tem lógica, como a ocorrência de casos similares é muito frequente nessas simulações de segundo turno.

Se a disputa é entre Dilma Rousseff e Aécio Neves o resultado vai depender da migração de votos do primeiro para o segundo turno: (a) dos dois concorrentes; (b) da votação de Eduardo Campos; (c) da votação dos demais candidatos menos competitivos e (d) do “não-voto”: percentuais de brancos, nulos e indecisos.

Com efeito, no levantamento do Datafolha o percentual de brancos, nulos e indecisos no primeiro turno foi de 27% e, no segundo turno, entre Dilma e Aécio, foi de 15%. Portanto, 12 pontos do não-voto foram alocados para os candidatos no segundo turno. Acresça-se a esses 12 pontos, a migração da pontuação de Eduardo (8) e dos demais candidatos de menor votação (8).

Tem-se, assim, um total de 28 pontos que “sobraram” do primeiro e foram destinados aos dois candidatos do segundo turno: 20 para Aécio (que tinha 20% de intenção de votos no primeiro turno e ficou com 40%, no segundo) e 8 para Dilma (que tinha 36% antes e subiu para 44% depois).

O que houve, então, foi que Aécio Neves conseguiu se apropriar de mais de 70% da migração de votos de um turno para outro. Ou visto de outro prisma: a maior parte dos eleitores cujos candidatos ficaram de fora do segundo turno ou que estavam indecisos, ou que pretendiam anular o voto ou votar em branco, preferiu o opositor psdebista.

É importante dar mais abrangência a este exemplo.

Considerem-se as três últimas pesquisas nacionais deste mês de julho, realizadas pelos institutos Sensus, Datafolha e Ibope. Calculando a média das intenções de voto dos candidatos nos três levantamentos, para minimizar eventuais influências de resultados individuais, têm-se os seguintes percentuais:

Dilma Rousseff 35,2%, Aécio Neves 21,0%, Eduardo Campos 7,7% e os demais postulantes 6,9%. Brancos, nulos e indecisos somaram 28,8%. O resultado caracteriza empate técnico.

Nas simulações de segundo turno, sempre levando em conta as médias de intenção de votos nos três levantamentos referidos, Dilma tem 40,4% contra 36,4% de Aécio. Quando a presidente enfrenta Eduardo ganha de 41,6% a 32,6%.

Então, na hipótese de um segundo turno hoje, entre Dilma e Aécio, o tucano se beneficiaria de cerca de 76%  dos votos antes dados aos demais candidatos e ao contingente do não-voto, ao passo que Dilma receberia os 24% da votação restante.

Se o embate se der entre a presidente e Eduardo, o ex-governador abocanharia 80% da migração de votos de uma etapa para outra, enquanto Dilma ficaria com os demais 20%.

Note-se, todavia, que a presidente ainda estaria liderando o segundo turno contra os dois concorrentes. O fato de estes serem receptores maiores da migração de votos não significa que ficarão à frente da presidente. Os “estoques” de votos do primeiro turno são desiguais, com ampla vantagem para Dilma.

Por mais simples que o exercício seja, até porque o segundo turno não está garantido de acontecer e nem tampouco a eleição será realizada hoje, ele dá asas à reflexão.

A permanecer o atual estado das artes até as cercanias de outubro, havendo segundo turno entre Dilma e Aécio, há possibilidade de 3 em cada 4 eleitores que tinham preferência por candidatos que ficaram de fora da disputa, ou que estavam indecisos, intencionavam votar em branco ou anular voto, migrarem para a candidatura tucana.

Nesse mesmo contexto, na disputa com Dilma em eventual segundo turno, Eduardo tende a receber apoio de eleitores cujos candidatos não passaram para a etapa seguinte, ou que estavam no conjunto do não-voto no primeiro turno, na proporção de 4 para cada 5 eleitores.

Em síntese, na configuração de agora, a oposição, representada pelos seus dois principais candidatos, consegue receber de 75% a 80% da votação que é transferida dos não eleitos e dos “indecisos”, do primeiro para o segundo turno.

Dessa forma, quanto mais se estreitar a diferença de intenção de votos no primeiro turno entre a presidente e o conjunto de seus oponentes, mais chances têm a oposição de ganhar o pleito no segundo turno.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

 

 

Um comentário
Silvia Silveira

Eu voto pela reeleição da PRESIDENTA DILMA porque em toda minha vida ela é a única que cuida realmente do povo brasileiro, desenvolvendo o País inteiro: com EDUCAÇÃO, EMPREGO,MORASIA, SAÚDE e RENDA. Fazendo com que surgisse uma nova classe, tirando os mais pobres da miséria e tratando como ser humano, coisa que nenhum outro governo fez e nem faria. Principalmente ,o zelo, cuidando com carinho e respeito ao nordestino e todos os brasileiros que tem mais é que gritar em uma só voz: QUEREMOS DILMA PRESIDENTA.!!! DILMA!DILMA!DILMA!DILAMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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