NOVA PESQUISA: QUADRO INALTERADO, MAS A “OPOSIÇÃO” PODE ESTAR AVANÇANDO

22/09/2013

 

Maurício Costa Romão

Levantamento nacional de intenção de votos para presidente da República, do Instituto Paraná Pesquisas, levado a efeito entre os dias 10 e 15 do corrente e divulgado na terça (17), mostra Dilma Roussef com 35,4%, seguida de Marina Silva com 25,1%. Aécio Neves pontuou 14,8% e Eduardo Campos 6,5% (vide penúltima coluna da tabela 1).

O tamanho da amostra foi de 2.502 eleitores, pesquisados em 169 municípios, e a margem de erro é de 3 pontos de percentagem, para mais ou para menos.

Com os números desfilados na última pesquisa da tabela 1, se a eleição fosse hoje haveria segundo turno entre Dilma e Marina. Aliás, exceto na pesquisa do Vox Populi, quando houve empate técnico entre a soma das intenções de voto da “oposição” e o percentual da candidata líder, nos demais levantamentos estariam presentes possibilidades estatísticas de segundo turno.

Fonte: autoria própria, com base em dados dos institutos listados

Note-se que nas três pesquisas de setembro, considerando a seqüência dos trabalhos de campo (não obstante o overlapping entre os levantamentos do Vox Populi e do MDA), há discreta evolução para cima das intenções de voto de Marina, e para baixo, das de Dilma, mas consubstanciada no intervalo da margem de erro das respectivas pesquisas.

É interessante constatar ainda que, embora o quadro geral das pesquisas mostre sinais de estabilidade, o conjunto da “oposição” avançou um pouco desde o início de setembro, em termos de intenção de votos.

De fato, observando mais uma vez a seqüência das pesquisas do Vox Populi, MDA e Paraná Pesquisas, vê-se que a soma dos percentuais de Marina, Aécio e Eduardo alcança 36%, 42,8% e 46,4%, respectivamente. Este último número reproduz a performance da oposição detectada pelo Datafolha nos dias 7 e 9 de agosto. Há que se aguardar, contudo, pelo menos mais um levantamento para se avaliar se a trajetória apresentada constitui indícios de tendência.

Focando especificamente os levantamentos do Instituto Paraná Pesquisas, a tabela 2 mostra que quase não houve alteração nas intenções de voto de todos os candidatos, do final de junho para meados de setembro, um indício claro de que a corrida presidencial perpassa momentos de letargia, não trazendo estímulos aos eleitores para mudança de opinião.

Fonte: autoria própria, com base em dados do Instituto Paraná Pesquisas

Este fenômeno de apatia reproduz, de alguma forma, o refluxo dos protestos de rua do mês de junho e a subsequente acomodação que se estabeleceu desde então na sociedade, particularmente nos movimentos sociais.

Os números também não sofrem variações de monta quando se substitui Aécio Neves por José Serra, exceto que as intenções de voto deste são mais robustas do que as de Aécio, o que pode ser visto na tabela 3.

Fonte: autoria própria, com base em dados do Instituto Paraná Pesquisas

Observa-se nesta última tabela que os percentuais de José Serra e os de Marina Silva ficam tecnicamente empatados e que há maior possibilidade de segundo turno, com o crescimento da diferença entre a soma das intenções de voto da oposição e os percentuais atribuídos a Dilma Rousseff.

As tabelas 4 e 5 desfilam percentuais de intenção de votos desagregados por região e por classes de tamanho de cidades, medido pelo número de eleitores.

Fonte: autoria própria, com base em dados do Instituto Paraná Pesquisas

A presidente Dilma Roussef continua sendo mais forte no Nordeste, conforme atestam todas as pesquisas, e tem menos apoio no Sul e Sudeste, o contrário de Aécio Neves. O maior peso de Marina Silva está no Norte e Sudeste e o de Eduardo Campos se concentre no Nordeste. Onde a oposição tem mais força é no Sudeste (50,1% de intenção de votos), justamente onde estão os maiores colégios eleitorais do país.

Os números da tabela 5 revelam que Dilma é mais votada em cidades menores – de menos que 40 mil eleitores – e Marina é mais bem aceita nas cidades maiores (acima de 100 mil eleitores). Aécio mostra mais força nas cidades pequenas, mas tem baixo rendimento nas grandes. Nestas, Eduardo parece ser mais forte, pois é onde atinge seu maior percentual.

Fonte: autoria própria, com base em dados do Instituto Paraná Pesquisas

No geral, este último levantamento do Paraná Pesquisas apenas referenda o que outros institutos já haviam detectado: a presidente teve ligeira recuperação nos seus índices de intenção de votos logo após o fim das manifestações de rua, no mês de junho, mas a partir de então manteve-se estacionada em um patamar que gravita no entorno de 35%.

Isso quer dizer que os números discretamente mais favoráveis da economia, não obstante a ameaça dos índices inflacionários, aliados a um maior controle da alta do dólar e a alguns programas de forte impacto na sociedade, como o Mais Médicos, ainda não surtiram o efeito esperado pelos governantes, em termos de sensibilização dos eleitores.

O ambiente é de compasso de espera, de aguardo dos próximos levantamentos eleitorais, mas que possivelmente não devem alterar muito o quadro que se constata agora.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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