MOVIMENTOS DE RUA E AVALIAÇÃO DE GOVERNOS

31/10/2013

Fonte: elaboração própria com base em pesquisas do IPMN

Maurício Costa Romão

Na medida em que as pesquisas eleitorais vão aparecendo, as nacionais, estaduais e municipais, fica patente um traço distintivo comum: as manifestações populares do meio do ano afetaram sobremaneira as imagens dos governantes urbi et orbi.

Essa afirmação acaba de ser constatada no Recife, capital do estado governado pelo presidenciável Eduardo Campos, através de levantamento do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), com trabalho de campo em 21 e 22 de outubro.

Com efeito, em 2012, ano em que o IPMN realizou 14 pesquisas de acompanhamento da eleição para prefeito, de janeiro a setembro, o governador sempre exibiu excepcionais índices de aprovação da gestão na capital, obtendo uma média de 72% de ótimo e bom, com um mínimo de 66% e um máximo de 80%.

Em abril deste ano, o eleitorado municipal continuou demonstrando grande apreço pela gestão de Eduardo em Pernambuco, ainda mais quando ele ensaiava passos mais definidos como potencial candidato à presidente, consagrando-lhe 75% de ótimo e bom.

Após os protestos de junho, sem absolutamente nenhum fato interno que justificasse qualquer dano às imagens do mandatário estadual ou do governo, a avaliação da administração do governador, vista pelos recifenses, despencou para 48% nesta pesquisa de agora, uma queda de 27 pontos (vide tabela).

A tabela desfila também números não menos dramáticos para a presidente Dilma Rousseff. A popularidade da governante (outra forma de olhar a soma das subcategorias ótimo e bom), também sem nenhum motivo aparente, registrou uma queda de 29 pontos entre as duas pesquisas deste ano na capital pernambucana, passando de 62% para 33%, com o agravante de que os conceitos de ruim e péssimo alcançaram 29%.

Note-se que esse declínio na avaliação da gestão dos dois incumbentes, dá-se no auge da exposição midiática de ambos, quando eles mais se movimentam, mais inauguram obras, mais lançam programas, mais capitalizam politicamente seus feitos, mais buscam estender seus arcos de apoiamento político-partidário, mais, enfim, se esforçam para mostrar que conseguiram interpretar os anseios populares expressos nas manifestações do meio do ano.

Os números, entretanto, extraídos dos levantamentos eleitorais que se vão sucedendo aqui e acolá, sinalizam que o movimento insurgente de junho apenas se recolheu enquanto palco de mobilização popular de rua, mas que continua latente, nos bastidores, fazendo ecoar protestos, desalentos e esperanças, através da caixa de ressonância do pensamento do eleitor: a pesquisa de opinião.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

Um comentário
Fernando Autran Gonçalves

Por razões que não cabe aqui analisar, há um desencanto da população em relação à democracia representativa. Diria o conselheiro Acácio que os representantes não são mais representantes porque os representados não são mais representados. Essa crise de representatividade acontece atualmente em todos os países, principalmente nas ditas democracias ocidentais. Os políticos pagam o preço dessa crise e da demonização que é feita contra eles pelos meios de comunicação. A esperança é que a cobrança sobre eles provoque mudanças positivas na política partidária e no sistema eleitoral.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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