MICROFATOS NA RETA FINAL ATÉ DOMINGO DEFINEM SE HAVERÁ OU NÃO 2º TURNO

30/09/2010

Variação de pequena parcela dos eleitores agora pode fazer balança pender para um dos lados

Fernando Rodrigues
Folha de S. Paulo, 30/09/2010

Formou-se um padrão em eleições presidenciais brasileiras desde 1994. Quem está à frente no primeiro turno, não importando se vencerá ou não, posiciona-se sempre na redondeza dos 50%.

Esse cenário aconteceu com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, quando ele teve 54,3% e 53,1% dos votos válidos, respectivamente. O fenômeno se repetiu com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002 e 2006, cujas votações foram 46,4% e 48,6%.

São cenários semelhantes ao protagonizado agora por Dilma Rousseff, a candidata do PT a presidente. Ela começou a semana com 51% dos votos válidos no Datafolha. Agora, está com 52%.

A petista parece se assemelhar mais a FHC do que a Lula em desempenho, mas a última semana da campanha é sempre um foco de microfatos que podem provocar alterações -o que torna imprevisível o desfecho. A variação de uma parcela pequena dos eleitores nesta fase final pode fazer a balança pender para um dos lados. Ontem, por exemplo, foi um dia bom para Dilma e ruim para José Serra (PSDB).

O tucano deu uma declaração ambígua sobre elevar a idade mínima para alguém se aposentar. Ao mesmo tempo, Gilberto Kassab (DEM), político ligado ao PSDB, anunciou um aumento da passagem de ônibus na cidade de São Paulo. É evidente que tais fatos não mudam completamente o rumo de uma campanha, mas são ruídos que podem incomodar (ou agradar) parcelas do eleitorado.

Foi o que se passou em 2006, quando o caso dos aloprados produziu um mal estar em uma parcela dos eleitores. Lula estava pronto para vencer no primeiro turno, mas faltou 1,4 ponto percentual no dia da eleição.

Agora, há também fios desencapados que podem prejudicar a petista. Ainda está vivo o caso do tráfico de influência na Casa Civil, pasta antes comandada por Dilma.

Ontem, a campanha petista providenciou uma vacina contra uma onda de boatos na internet que desqualificava Dilma perante os eleitores mais religiosos. Lula gravou um depoimento em vídeo afirmando que nesta fase da campanha aparecem pessoas do “submundo da política” para dizer “mentiras”.

Mas há sempre acontecimentos que estão além do controle dos políticos. A taxa de abstenção é imponderável. A exigência do documento com foto para votar pode provocar uma sangria entre os eleitores menos afluentes. Até um dia muito chuvoso também influi em determinadas regiões.
Os 52% de Dilma colocam a petista como grande favorita. Mas seria temerário afirmar que a eleição já estará concluída no domingo.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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