MARGEM DE ERRO EM PESQUISA ELEITORAL

31/05/2012

Eleitor

Acho intrigante o fato de que toda pesquisa eleitoral já vir com erro. Por exemplo, já vem dizendo: “a margem de erro é de tantos por cento, para mais ou para menos”. Por que isso?

Maurício Costa Romão

As pesquisas eleitorais baseiam-se no pressuposto estatístico de que, para se extrair opiniões de intenção de voto dos eleitores, não há necessidade de se fazer entrevistas com todo o eleitorado. Basta consultar uma parte (uma amostra) deste. Por exemplo, o eleitorado brasileiro é de 136 milhões. Para saber as intenções de voto desse universo basta entrevistar 2 a 3 mil eleitores.

Por mais representativa que seja uma amostra da população, ela nunca vai deixar de ser uma amostra, de ser apenas um subconjunto da população. Logo, todo e qualquer resultado obtido da amostra nada mais é que uma estimativa do parâmetro populacional e, como toda estimativa, sujeita a erro.

Este erro é derivado de conveniência prática, financeira, operacional, etc. do pesquisador ao usar só uma pequena fração do todo, e a partir dessa fração, inferir sobre parâmetros do universo. O erro amostral é, assim, um fatalismo estatístico das pesquisas.

Contudo, esse erro pode ser calculado e controlado. Por exemplo, pode-se diminuir o erro aumentando-se o tamanho da amostra para uma mesma concepção metodológica de amostra. Esta, aliás, é uma regularidade importante no método estatístico relacionado às pesquisas: quanto maior (menor) o tamanho da amostra, menor (maior) é a margem de erro, para um dado grau de confiança. Quer dizer, existe uma relação inversa entre margem de erro e tamanho da amostra.

Para uma pesquisa de 816 entrevistas, como a que o IPMN tá fazendo para a eleição majoritário do Recife neste ano de 2012, em parceria com o portal LeiaJá e o Jornal do Commercio, por exemplo, a margem de erro comum é de 3,5%, para mais ou para menos. Isso significa que qualquer percentual de intenção de votos de determinado candidato pode variar sete pontos de percentagem. Na prática, se ele, o candidato, obtém 20% de intenção de votos na pesquisa, essa percentagem pode variar, na verdade, entre 16,5% e 23,5%.  O percentual de 20% é o centro desse campo de variabilidade. É o ponto intermediário da amplitude do erro.

Qual é a segurança que se tem de que as intenções de voto da população por aquele candidato situam-se entre o mínimo de 16,5% e o máximo de 23,5%? Certeza absoluta não se tem nunca, já que se trata de estimativa probabilística, mas se pode estabelecer, estatisticamente, certo nível de confiança que indique a probabilidade de que aquela estimativa espelhe a realidade.

Admita-se que esse nível seja de 95%. Isso significa que há uma probabilidade de 95% do percentual de eleitores que manifestaram intenção de votar no referido candidato estar compreendidos no intervalo de 16,5% a 23,5%. Abertas as urnas, o candidato deve, “quase certamente”, receber de 16,5% a 23,5% dos votos da população, havendo apenas 5% de chance de isso não ocorrer.

 

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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