Margem de erro e tamanho da amostra em pesquisa eleitoral

20/05/2010

Por Maurício Costa Romão

Nas pesquisas eleitorais as decisões fundamentais sobre o tamanho da amostra a ser pesquisada e qual é a margem de erro admissível para as estimativas são normalmente tomadas de comum acordo entre pesquisadores e clientes. Os envolvidos no processo decisório dispõem de uma informação básica importante: a relação inversa entre tamanho da amostra e erro amostral.

Para se obter mais precisão nas estimativas, isto é, chegar o mais próximo possível do valor “real” do parâmetro da população, faz-se necessário aumentar o tamanho da amostra, para um mesmo nível de confiança. Se não se almeja muito rigor com a precisão, quer dizer, se a margem de erro pode ser mais ampla, então se pode trabalhar com um volume de informações amostrais menor.

A Tabela e o Gráfico a seguir mostram vários erros amostrais associados a diversos tamanhos de amostra, caracterizando um trade-off entre as duas variáveis: quanto menor o erro, maior é o tamanho da amostra e vice-versa, considerando-se um intervalo de confiança de 95%.

Note-se que para um erro de 3% – que é talvez a magnitude de erro amostral mais usada em pesquisa eleitoral – e considerando o nível de confiança de 95%, também o nível mais popular entre os pesquisadores, o tamanho da amostra correspondente é de 1067 questionários.

Os rigores da precisão, por outro lado, têm seu custo: erros menores associados a maiores tamanhos da amostra envolvem mais complexidades, mais entrevistadores, mais tempo de trabalho em campo, etc., o que implica custos financeiros mais elevados. Portanto, quanto menor o erro que se admite cometer no levantamento, maior é o custo financeiro associado à sua realização.

Obviamente que a relação deve também ser vista do ângulo oposto: quanto maior o erro permissível, menor é o tamanho da amostra e, consequentemente, mais baixo é o seu custo financeiro. Neste caso, todavia, há que se levar em conta que os resultados extraídos estão sujeitos a grandes variabilidades, transmitem pouca confiança e, portanto, são de menor valor para decisões estratégicas.

O Grágico abaixo mostra um caso hipotético, tipificando a relação inversa entre custo de pesquisa e erro amostral, considerando que erros maiores estão associados a tamanhos de amostras menores e vice-versa.

Em geral, os envolvidos na pesquisa remetem a decisão sobre o tamanho da amostra para o lado pragmático da questão: verificar qual a margem de erro tolerável, compatível com determinado custo financeiro do levantamento em perspectiva.

Essa decisão envolve, naturalmente, definir o grau de precisão que se espera dos resultados. Nas fases iniciais da campanha eleitoral, esse grau pode ser menos rigoroso, até porque as preferências por candidaturas ainda não estão claramente reveladas e, ademais, o “clima” eleitoral ainda não contagiou os eleitores. Em estágios mais avançados do embate eleitoral, particularmente em disputas acirradas, as exigências de precisão são bem maiores.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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