MANIFESTAÇÕES ESTIMULADAS E INDUZIDAS EM PESQUISA ELEITORAL

26/05/2011

 

Por Maurício Costa Romão

Nas pesquisas eleitorais quantitativas, particularmente nos quesitos de intenção de voto, os entrevistados são instados a se pronunciar sobre os candidatos que disputam o pleito contemporâneo, de forma espontânea ou de forma induzida.

No primeiro caso, da manifestação espontânea de voto, o respondente é estimulado a dar sua opinião sobre as candidaturas postas, mas sem que o entrevistador faça uso de qualquer mensagem gestual ou verbal que lembre a figura ou o nome de algum candidato. Já a pergunta induzida é aquela na qual se apresenta ao entrevistado uma relação de nomes dos candidatos (normalmente impressa num disco de papel-cartolina), em ordem aleatória, para que ele escolha um deles de sua preferência.

A pesquisa induzida é a mais conhecida e, possivelmente, mais valorizada pela mídia e pelo público porque contrasta, de forma clara e ordenada, desempenhos de candidatos concorrentes, em termos de percentuais de intenção de voto que lhes são atribuídos.

São os números dessa modalidade – a pesquisa induzida – que dão as emoções aos pleitos. São esses números que aparecem com mais destaque nas páginas frontais dos periódicos, que são verbalizados com ênfase nos programas de rádio, que são ilustrados em gráficos nos canais de televisão, que são veiculados na mídia on line.  São também esses números que servem para avaliar o desempenho evolutivo do candidato e prognosticar suas chances de vitória ou derrota.

Menos divulgada, porém não menos importante, a intenção de voto espontânea é particularmente apreciada nas hostes do marketing político. Com efeito, a manifestação espontânea do eleitor sobre um determinado candidato indica o grau de aderência ao seu nome na campanha em curso.

Se o nome foi bastante lembrado pelos respondentes, naturalmente sem que o entrevistador o mencionasse, significa que o candidato é conhecido, seu nome é familiar, sua imagem tem sido apreendida com certa facilidade. Se o candidato vem de campanhas anteriores ou teve o seu nome ou imagem veiculada ou exposta com freqüência, dá-se o nome de recall à lembrança de um ou mais dos atributos do candidato. Porém, se determinado candidato é raramente lembrado pelo entrevistado, isso implica que seu nome não é conhecido, não está cristalizado na memória do eleitor.

Com base nos indicadores extraídos da pesquisa espontânea, o comando da campanha opera os direcionamentos cabíveis para cada caso relativo à maior ou menor assimilação do nome do candidato. Naturalmente, à medida que a data da eleição se vai aproximando, mais as intenções espontâneas de voto vão convergindo para as manifestações induzidas. Os números de uma e de outra continuam a diferir, porém, as preferências pelas candidaturas passam a ser as mesmas.

As Tabelas 1 e 2 que acompanham o texto mostram um caso real de pesquisa referente à eleição de 2010 para Presidente da República do Brasil, em que as duas modalidades – estimulada e espontânea – foram empregadas pelo Instituto Sensus. Nota-se que na pesquisa realizada ao final de Julho e início de agosto (primeira Tabela) as diferenças de percentagens de intenção de votos para cada candidato são relativamente grandes de uma modalidade para outra.

Já, entretanto, quando se vai aproximando a data do pleito, essas diferenças caem acentuadamente, conforme se depreende dos números da Tabela 2, mostrando a pesquisa de 26 a 28 de setembro de 2010.

Quando se tratava de inquirir o entrevistado usando a modalidade espontânea, o Instituto Sensus fazia a seguinte argüição:

“Neste próximo Domingo, 03 de outubro de 2010, serão realizadas Eleições para Presidente da República. Em quem o Sr(a) votaria para Presidente da República se as Eleições fossem hoje”?

Quando se tratava da modalidade induzida, tinha a seguinte pergunta no questionário:

“Da seguinte lista de Candidatos, em quem o Sr(a) votaria para Presidente da República se as Eleições fossem hoje?:

01. Dilma PT

02. Eymael PSDC

03. Ivan Pinheiro PCB

04. José Serra PSDB

05. Levy Fidelix PRTB

06. Marina Silva PV

07. Plínio PSOL

08. Rui Costa Pimenta PCO

09. Zé Maria PSTU”

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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