MAIS SHOPPINGS, MENOS TRÂNSITO

23/05/2012

Luiz Fernando Pinto Veiga

Folha de S.Paulo, 14/05/2012

JK Iguatemi e Tietê Plaza são alvo agora. A mesma ladainha já ocorreu com o Bourbon e o Ibirapuera. Mas shoppings, na verdade, ajudam o trânsito

Mais um shopping em São Paulo? Grande notícia para os paulistanos, que ganham uma nova opção de lazer e… para o trânsito. Sim, para o trânsito. Os 52 empreendimentos distribuídos por todas as regiões de São Paulo ajudam a disciplinar o tráfego, na medida em que têm fluxo amplamente dividido ao longo do dia e da semana, estão fechados no horário mais crítico do trânsito e oferecem 130 mil vagas de estacionamento -uma enorme contribuição para desafogar o deficit de espaços zona azul na capital.

Nos últimos dias, observamos estupefatos as acusações de que os shoppings são polos geradores de tráfego. O JK Iguatemi e o Tietê Plaza Shopping foram os alvos prediletos, ambos novos empreendimentos que irão contribuir diretamente para o incremento econômico de São Paulo. Há alguns anos, presenciamos a mesma ladainha com os shoppings Ibirapuera e Bourbon.

Em primeiro lugar, está um fato para o qual poucos atentam. Os shoppings abrem às 10h, após o rodízio matinal de veículos e quando o horário de pico da manhã já terminou. Como poderiam colaborar para a piora do trânsito se ainda estão fechados?

A frequência do público nos shoppings de São Paulo se concentra principalmente nos finais de semana, com cerca de 40% do volume de pessoas frequentando os centros comerciais aos sábados e domingos, dias de trânsito tranquilo.

E mais: 73% do movimento diário de veículos num shopping ocorre até às 18h. Em outras palavras, durante os picos diários de tráfego, os shoppings não são, sob nenhuma ótica, polos geradores de tráfego.

Isso ocorria no passado, quando surgiram os primeiros centros, distantes um do outro e atraindo a atenção da população de toda a cidade. Hoje, com a vasta oferta existente em São Paulo, o oposto é verdadeiro. Os shoppings ajudam a retirar carros das ruas porque servem à população que já está no seu entorno.

O debate ganha contornos emocionais, com os shoppings sendo retratados como verdadeiros inimigos do trânsito.

É evidente que os shoppings atraem clientes, parte deles utilizando automóveis para se deslocar, mas investimentos têm sido feitos para facilitar a mobilidade em seus estacionamentos.

Recursos como o Sem Parar, a sinalização luminosa para vagas e a contratação de pessoal especializado para orientar motoristas mostram êxito e contribuem para a fluidez nos estacionamentos e arredores.

Não é lógico atribuir o pesado trânsito de uma metrópole cheia de problemas aos centros comerciais. Essa discussão parece jabuticaba que só dá no Brasil. Shoppings são desejáveis em todo o mundo.

No Brasil, os 432 shoppings existentes em 2011 -serão 473 até o fim deste ano- geram 775 mil empregos diretos e pagaram, em 2011, R$ 16 bilhões de impostos.

Criar dificuldades para o lançamento de novas unidades de shoppings em prol de minimizar problemas de trânsito é uma visão estreita sobre uma atividade que merece ser promovida por todos os benefícios que traz à cidade e à economia brasileira.

LUIZ FERNANDO PINTO VEIGA, 74, é presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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