LIÇÕES DO TITANIC

30/04/2012

 

Josué Gomes da Silva

Folha de S.Paulo, 15/04/2012

O naufrágio do Titanic, cujo centenário transcorreu ontem, traz tristes memórias, heroísmo, coragem, arrogância, fé, lendas e mitos. Por isso e pela perda de cerca de 1.500 vidas, é tragédia marcante da aventura humana. Diante de tal lembrança, conforta-nos a sabedoria de aprender com os erros, que pode e deve ser praticada por todos.

Cem anos após a triste noite de 14 de abril de 1912, quando um iceberg interrompeu a travessia do Atlântico entre Southampton (Reino Unido) e Nova York (EUA), a frustrada viagem inaugural do navio ainda é um legado de preciosas lições. E todas aplicam-se a distintas situações, inclusive na gestão empresarial.

A primeira refere-se à previsão relativa aos recursos de contingência. Nunca devem ser menores que a efetiva demanda em casos de incidentes e acidentes. Isso vale para reservas financeiras, alarmes, áreas de escoamento, estruturas e brigadas de incêndio. O Titanic tinha só 16 botes salva-vidas, muito aquém do ideal.

A segunda lição é sobre a necessidade de testar qualquer equipamento, máquina, veículo, processo e sistema antes de ser colocado em operação comercial. O Titanic teve apenas seis horas de testes, e muito abaixo de sua velocidade máxima. Talvez por isso, os timoneiros não tenham conseguido manobrá-lo com eficiência ante a iminência do choque.

A comunicação, sempre decisiva e estratégica, é o objeto da terceira lição. O Titanic possuía o moderníssimo telégrafo do Sistema Marconi. Porém, muitos não sabiam operar aquela “maravilha sem fio” e alguns navios que poderiam tê-lo socorrido nem sequer contavam com ela.

Os meios de comunicação -incluindo os mais recentes, como redes sociais, tráfego de dados, G3, G4 e outros recursos cibernéticos- precisam ser bem utilizados e todos os interlocutores devem compartilhá-los de maneira eficaz no domínio da tecnologia.

Outra análise importante é que a arrogância nunca deve subjugar o bom senso. A humildade é sempre boa conselheira, mesmo quando a autossegurança resulta de grande experiência ou baseia-se no uso de avançada tecnologia. O excesso de confiança pode explicar o motivo de o capitão Smith ter ignorado os alertas de gelo no mar e ter determinado velocidade máxima.

E ainda, entre muitos exemplos, jamais se deve relegar a segundo plano a política de recursos humanos, o treinamento e o papel dos colaboradores -que são o mais importante patrimônio de qualquer organização ou empreendimento. Tal cuidado faltou no Titanic.

Que a triste e centenária lembrança, registrada no Reino Unido e em todo o mundo, não seja em vão. Aprender com os equívocos do passado nos capacita a um futuro sempre melhor.

JOSUÉ GOMES DA SILVA escreve aos domingos nesta coluna.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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