LEGITIMIDADE E DEMOCRACIA

21/03/2012

 

José Aníbal

Folha de S.Paulo, 19/03/2012

Nenhum partido será aguerrido calando a base; há quem defenda sem se constranger que o PSBD não tenha prévias, mas a nossa tradição é de democracia interna

Thomas Jefferson dizia que os homens vivem mais dos sonhos do futuro que dos planos do passado. E é para o futuro que o PSDB está todo voltado hoje. A legitimidade das prévias tucanas para a escolha do candidato à prefeitura nos traz muita alegria. Não se constrói a unidade tirando dos outros a independência. Nenhum partido será aguerrido silenciando a convicção das pessoas. Como me disse um militante, numa reunião na zona leste da capital, a democracia é mais do que um princípio: ela é a nossa fé pública.

Em 1988, numa entrevista à jornalista Marília Gabriela (que, felizmente, está disponível no YouTube), Mario Covas explicou as razões relacionadas à fundação do PSDB. E fez questão de sublinhar o que diferenciava o novo partido dos demais: democracia interna.

Dizia ele: “De tal maneira que, se o cidadão entrar para o partido, ele seja alguém dentro do partido. Alguém não quer dizer o presidente da República, um deputado, um senador. Mas parte das decisões da vida interna do partido”.

Estas palavras mostram não só o caráter original do PSDB. Elas significam a aceitação da autonomia e da independência daqueles que escolheram este partido para defender. Ninguém confia tanto na força da nossa história e na longevidade de nossas obras como os nossos filiados.

É bom ver novas lideranças surgindo. Lideranças ainda anônimas, cheias de oxigênio, que procuram o diálogo partidário em busca de solução para os problemas dos bairros onde moram.

Isso mostra que as pessoas querem compartilhar responsabilidades e debater propostas para a cidade. Talvez os partidos é que não estejam maduros para esta participação.

Um partido que não confia na democracia interna está mesmo defendendo os interesses do eleitor? Basta olhar o caso do PT, que atropelou sua militância e emplacou um candidato sem identificação com a cidade, cujo maior atributo é ser o preferido do Lula.

Felizmente, o PSDB seguiu o caminho oposto. A livre manifestação dos filiados é o que conta.

As prévias são um exercício de convencimento. O contato com o cotidiano das bases partidárias faz muito bem aos homens públicos. Não só pela troca de informações e de ideias, mas pelo calor humano, pelo convívio com as expectativas e frustrações do eleitorado e, principalmente, pela percepção de que a confiança na democracia não poderia estar mais viva.

No dia 25 de março, vamos conhecer o candidato tucano cujo projeto para São Paulo recebeu maior adesão. Escolhido o candidato, seguiremos todos juntos. O PSDB unido é muito forte. Principalmente no estado de São Paulo, a mais bem-sucedida experiência administrativa desde a redemocratização. Há 17 anos São Paulo não quer saber de outro partido cuidando de seus interesses.

O PSDB vive grandes dias. Não vivíamos esta expectativa desde a vitória de Fernando Henrique. Embora ainda haja quem fale abertamente -e sem constrangimento- em acabar com as prévias, isso é impossível: a história da democracia é a narrativa de uma correnteza que não pôde ser contida. Confiamos nela mais do que nunca.

JOSÉ ANÍBAL, 64, é deputado federal e pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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