Intenção de Voto: Estimulada e Induzida

23/06/2010
 
 
 
 

Imagem publicada no blog do Magno Martins

Por Maurício Costa Romão

Nas pesquisas eleitorais quantitativas, particularmente nos quesitos de intenção de voto, os entrevistados são instados a se pronunciar sobre os candidatos que disputam o pleito contemporâneo, e o fazem ou de forma espontânea, ou de forma induzida.

No primeiro caso, da manifestação espontânea de voto, o respondente é instigado a dar sua opinião sobre as candidaturas postas, mas sem que o entrevistador faça uso de qualquer mensagem gestual ou verbal que lembre a figura ou o nome de algum candidato.

Já a pergunta induzida é aquela na qual se apresenta ao entrevistado uma relação de nomes dos candidatos (normalmente impressa num disco de papel-cartolina), em ordem aleatória, para que ele escolha aquele de sua preferência.

A pesquisa induzida é a mais conhecida e, possivelmente, mais valorizada pela mídia e pelo público porque contrasta, de forma clara e ordenada, desempenhos de candidatos concorrentes, em termos de percentuais de intenção de voto que lhes são atribuídos. 

São os números dessa modalidade – a pesquisa induzida – que dão as emoções aos pleitos. São esses números que aparecem com mais destaque nas páginas frontais dos periódicos. São também esses números que servem para avaliar o desempenho evolutivo do candidato.

Menos divulgada, porém não menos importante, a intenção de voto espontânea é particularmente apreciada nas hostes do marketing político. Com efeito, a manifestação espontânea do eleitor sobre um determinado candidato indica o grau de aderência ao seu nome na campanha em curso.

Se o nome foi bastante lembrado pelos respondentes, naturalmente sem que o entrevistador o mencionasse, significa que o candidato é conhecido, seu nome é familiar, sua imagem tem sido apreendida com certa facilidade.

Se o candidato vem de campanhas anteriores ou teve o seu nome ou imagem veiculada ou exposta com freqüência, dá-se o nome de recall à lembrança de um ou mais dos atributos do candidato. Porém, se determinado candidato é raramente lembrado pelo entrevistado, isso implica que seu nome não é conhecido, não está cristalizado na memória do eleitor.

Com base nos indicadores extraídos da pesquisa espontânea, o comando da campanha opera os direcionamentos cabíveis para cada caso relativo à maior ou menor assimilação do nome do candidato. Naturalmente, à medida que a data da eleição se vai aproximando, mais as intenções espontâneas de voto vão convergindo para as manifestações induzidas.

Os números de uma e de outra continuam a diferir, porém as preferências pelas candidaturas passam a ser as mesmas. Os gráficos abaixo, mostrados apenas com o propósito de ilustração, espelham um caso real de pesquisa realizada a oito meses da eleição de 2008 para Prefeito da capital pernambucana, em que as duas modalidades – estimulada e espontânea – foram empregadas.

Um comentário
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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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