INSTITUTOS DIFERENTES, RESULTADOS SEMELHANTES

18/06/2014
 
Fonte: elaboração própria, com base em dados do blog do F. Rodrigues/UOL

Maurício Costa Romão

Desde o início do governo Dilma Rousseff, em 2011, até a primeira quinzena de junho de 2014, os Institutos Datafolha e Ibope realizaram 17 pesquisas de opinião cada um, consultando os eleitores sobre como eles avaliavam o governo da presidente.

As datas das pesquisas não coincidem, mas são razoavelmente aproximadas, de sorte que não há prejuízo qualitativo desfilar seus achados num mesmo gráfico, como é feito acima.

O número 1 no eixo horizontal corresponde ao mês de março de 2011 (Datafolha, 15-16/mar; Ibope, 14-17/mar) e o número 17 ao mês de junho de 2014 (Datafolha, 3-5/jun; Ibope, 4-7/jun).

De saída, nota-se que as linhas que representam os dados dos dois institutos têm uma conformação muito similar.

De fato, de março de 2011 a março de 2013 as linhas são ascensionais. Com as insurgências do mês de junho, registra-se queda acentuada na aprovação do governo Dilma (ou na popularidade da presidente): o percentual de ótimo e bom no Datafolha cai de 65% em março para 30% em junho, e o do Ibope mostra descenso de 63% em março para 31% em julho.

Daí em diante, a presidente passa a recuperar discretamente a sua popularidade, o que acontece até o final do ano passado, porém, desde então, os dois institutos apontam tendência de queda nessa popularidade.

O gráfico deixa patente que os números de avaliação de governo de cada instituto em levantamentos contemporâneos isolados podem diferir, e normalmente o fazem com freqüência. Vistos em seqüência, todavia, as configurações de tendência são muito semelhantes.

O mesmo raciocínio se aplica às intenções de voto. Considerem-se as pesquisas realizadas pelos dois institutos depois da coalizão PSB/Rede, sempre com o mesmo cenário em que figuram Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Aécio Neves.

O gráfico seguinte mostra também uma razoável conformação entre os resultados das duas instituições de pesquisa sobre intenção de votos, mesmo numa amostra menor, com apenas seis observações.

Fonte: elaboração própria, com base em pesquisas do Datafolha e do Ibope

Entre outubro e novembro de 2013 aumentam as intenções de voto na presidente e, a partir daí, nota-se tendência de queda até o mês de junho, mais fortemente detectada pelo Datafolha. Vê-se, também, que nos levantamentos pontuais, a maior diferença entre os achados de um instituto e de outro é de, no máximo, quatro pontos.

Enfim, eventuais divergências de resultados contemporâneos entre institutos distintos, tanto em avaliação de governo, quanto em intenção de votos, devem ser encarados com naturalidade, fruto de suas diferenças metodológicas.

Nunca é demais lembrar que as pesquisas devem ser vistas como um mero instrumento técnico de acompanhamento do processo eleitoral, que serve para apontar tendências com base em levantamentos sucessivos.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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